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Expresso

Corrida à liderança social-democrata

Ferreira Leite diz que partido ficará numa posição "complexa"

Manuela Ferreira Leite apelou aos militantes para elegerem "um candidato capaz de enfrentar, de igual para igual, de olhos nos olhos, o engenheiro Sócrates".

A candidata à liderança do PSD, Manuela Ferreira Leite, reconheceu hoje que o partido ficará numa posição "bastante complexa" se perder as legislativas de 2009 e apelou aos militantes para escolherem alguém capaz de vencer José Sócrates.

"Se não nos apresentarmos ao eleitorado com um candidato a primeiro-ministro capaz de enfrentar, de igual para igual, de olhos nos olhos, o engenheiro Sócrates, o partido ficará numa posição bastante complexa", afirmou Manuela Ferreira Leite, numa sessão de esclarecimento com militantes, em Beja.

Salientando que as eleições de 31 de Maio são "decisivas" para o PSD, porque "não se vai escolher apenas mais um presidente para o partido, mas também um candidato a primeiro-ministro", Manuela Ferreira Leite alertou que o partido ficará "fraquinho" se os militantes não escolherem "alguém que enfrente as eleições legislativas com a possibilidade de vencer o engenheiro Sócrates".

"É evidente que não vou dizer que o partido vai acabar. Não acaba, mas fica bem fraquinho", disse, salientando que estar na oposição "é incómodo" para PSD, "um partido com vocação de poder".

Numa região marcada pela agricultura e instada por militantes a pronunciar-se sobre questões agrícolas, Manuela Ferreira Leite criticou a política agrícola do Governo PS e disse que o actual tutelar da pasta, Jaime Silva, "daria um grande contributo ao país se não fosse ministro".

Questionada por outro militante sobre o pagamento especial por conta, que criou quando era ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite disse "não estar arrependida" de ter implementado aquela medida, que considerou "essencial" para combater a fraude e a evasão fiscal.

Ferreira Leite recusa títulos "populista e liberal"

Sublinhando que avançou para "ajudar a credibilizar" o PSD e retirá-lo da actual "situação de descrédito", Manuela Ferreira Leite fez questão de esclarecer os militantes de que "não é populista nem liberal" e que se for eleita o PSD "vai retomar as suas raízes sociais-democratas".

"Explicito completamente que eu não sou nem populista, nem liberal. Para isso terão outros candidatos. Eu sou social-democrata e se ganhar a presidência do partido o PSD retomará aquilo de que tem estado afastado: as suas raízes sociais-democratas", afirmou.

Manuela Ferreira Leite garantiu que todos os militantes são "decisivos" e "têm lugar no partido" e rejeitou a ideia das bases e das elites no PSD, que considerou uma "linguagem divisionista" e "uma luta de classes imprópria no partido".

"Não deitar a toalha ao chão à primeira crítica"

"Não ponho de lado aqueles que não concordarem com o meu caminho, mas também não me vou deixar abalar pelas críticas e não vou, com certeza, deitar a toalha ao chão à primeira crítica, nem à segunda, nem a crítica nenhuma", disse, considerando uma "irresponsabilidade" alguém assumir a presidência de um partido e "a seguir não poder ouvir críticas".

Para Manuela Ferreira Leite, "o país precisa de um PSD forte e credível aos olhos da opinião pública", porque "as pessoas, de um modo geral, não estão muito satisfeitas com a situação que vivemos".

Por outro lado, acrescentou, "existe um Governo que está sem nenhuma motivação, porque não está a competir com ninguém. Faz o que entende e sem qualquer espécie de obstáculo".

"Provavelmente, o Governo até poderia fazer melhor do que faz. Mas não faz porque está sozinho e sem qualquer espécie de oposição", disse Manuela Ferreira Leite, defendendo que o PSD tem que "voltar a fazer oposição eficaz".

Questionada pelos jornalistas, Manuela Ferreira Leite escusou-se a comentar as acusações do líder cessante Luís Filipe Menezes, que, numa entrevista publicado hoje no Jornal de Notícias, relacionou-a "inequivocamente" com as pessoas que disse terem tentado pressioná-lo para que o PSD não avançasse com o pedido de inquérito do Banco de Portugal ao BCP porque "era muito perigoso" e "ia colocar em causa algumas off-shores de algumas personalidades".