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Expresso

Choque petrolífero

Toneladas de peixe podem apodrecer

A paralisação dos pescadores e armadores, que reclamam apoios do Governo para fazer frente aos aumentos nos combustíveis, poderá resultar no apodrecimento entre 15 a 20 toneladas de peixe.

Entre 15 e 20 toneladas de peixe podem apodrecer nos próximos dias nos armazéns e molhe de Matosinhos devido à paralisação dos pescadores e armadores, disse hoje à agência Lusa um armador do porto da Póvoa do Varzim.

"Segundo as indicações que temos, nos próximos dias e caso a paralisação continue, podem apodrecer entre 15 e 20 toneladas de peixe em Matosinhos", disse José Festas, proprietário de duas embarcações atracadas na Póvoa do Varzim.

O armador disse concordar "plenamente" com a paralisação e adiantou que nenhum pescador volta ao mar "antes do ministro da Agricultura [Jaime Silva] fazer qualquer coisa".

O armador aponta como soluções "a descida do gasóleo ou outros meios de subsídios que possam ser disponibilizados para as empresas terem rentabilidade".

"Se o Governo demorar muito tempo a resolver a situação a maior parte das embarcações não voltam para o mar porque depois não têm condições financeiras para o fazer", adiantou.

José Festas referiu ainda que esta situação pode "empurrar para o desemprego 10 a 15 mil pessoas".

Sexta-feira, o ministro Jaime Silva mostrou-se disponível para dialogar com o sector, mas recusou "medidas paliativas" e temporárias para enfrentar a actual situação da subida dos preços dos combustíveis.

Hoje, cumpre-se o segundo dia de paralisação dos armadores e pescadores portugueses, por tempo indeterminado, em protesto contra a falta de apoios para enfrentar a subida acentuada dos preços dos combustíveis.

O sector pesqueiro português avançou para a paralisação em consonância com os seus congéneres da Espanha, França e Itália.