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Expresso

A revolta dos monges

Gambari perto de reunir militares e oposição

No dia em que Ibrahim Gambari apresentou o relatório da estadia de quatro dias na Birmânia, o secretário-geral da ONU não poupou nas críticas.

Pedro Chaveca

O enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, esteve hoje na sede da ONU, em Nova Iorque, para dar a conhecer ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral, Ban Ki-moon, o resultado da sua visita de quatro dias à Birmânia.

O diplomata nigeriano tornou público o aviso que fez à junta militar que governa o país. Nesse "encorajamento cauteloso", como o próprio referiu, apelou aos militares por uma solução pacífica para os confrontos que assolaram a Birmânia nos últimos dias e que passa obrigatoriamente pela libertação imediata de todos os detidos. Caso contrário, o país sujeitar-se-á "a sérias repercussões internacionais".

Gambari realçou ainda que esta é uma "oportunidade histórica para a Birmânia" e que deve ser aproveitada.

Espancamentos e detenções continuam

Depois de ter falado com Aung San Suu Kyi e tomado o pulso da situação no país, Ibrahim Gambari teme que o número de mortos seja muito superior ao avançado pelas autoridades birmanesas. Até porque, como adiantou, continuam a ser detidos e espancados opositores nas maiores cidades do país.

Outra das vitórias da diplomacia internacional foi conseguir que o general Than Shwe, líder da junta militar e personalidade quase inacessível, acedesse a encontrar-se com a opositora Aung San Suu Kyi, naquela que, a realizar-se, será uma reunião inédita e histórica.

Contudo o militar exigiu que antes de qualquer hipótese de diálogo com a dirigente da Liga Nacional para a Democracia, Suu Kyi, deixasse de apelar às sanções internacionais feitas à Birmânia.

Repressão "aberrante e inaceitável"

No início de Novembro o nigeriano deverá voltar ao país do sudeste asiático para uma nova fase de conversações e, se for cumprida a vontade dos EUA, também para moderar o desejado encontro entre Than Shwe e Aung San Suu Kyi. "De modo a que todos encontrem os meios para uma transição pacífica para a democracia", avançou um porta-voz da Casa Branca.

Ainda antes do início da reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelidou a violenta repressão levada a cabo pelos militares e seus esbirros como "aberrante e inaceitável", exigindo a libertação de todos os detidos "sem mais demora".

Entretanto, o encontro de hoje entre o ministro birmanês dos negócios estrangeiros e a embaixadora norte-americana em Rangum, Shari Villarosa, não teve o desfecho desejado e produziu muito poucos ou nenhuns avanços. "O que ela ouviu em privado não é muito diferente do que a junta militar afirma em público", desabafou um porta-voz da embaixada.