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Expresso

A revolta dos monges

Gambari já se encontrou com líder da Junta Militar na Birmânia

Existem muitas expectativas quanto à visita de Ibrahim Gambari

Reuters

Depois de quatro dias de espera, o enviado da ONU conseguiu finalmente uma audiência com o general Than Shwe.

Pedro Chaveca

Ao fim de quatro dias de espera Ibrahim Gambari conseguiu finalmente encontrar-se com o general Than Shew, líder da junta militar que governa a Birmânia com mão de ferro. O encontro teve lugar hoje na cidade de Naypidaw, no centro do país.

Não foram revelados quaisquer pormenores do encontro, mas um porta-voz da ONU reforçou que o diplomata nigeriano deverá ter insistido na "urgência de acabar com a repressão feita contra os protestantes pacíficos, libertar os detidos e abrir caminho para reformas democráticas".

Numa altura em que os confrontos foram esmagados quase na totalidade, o ministro birmanes dos negócios estrangeiros, Nyan Win, já começou a arranjar bodes expiatórios. "A situação não se teria deteriorado se o pequeno grupo de manifestantes que protestavam contra a subida do preço dos combustíveis não tivessem sido usados por oportunistas políticos", disse Nyan Win numa declaração feita na assembleia-geral da ONU em Nova Iorque.

Segundo encontro com Aung San Suu Kyi

"A normalidade já foi reposta" referiu o governante e reforçou dizendo que os militares só responderam com violência quando foram atacados pela "multidão descontrolada e em fúria".

Quanto aos ataques aos direitos humanos no país, o político não tem dúvidas e culpa o neocolonialismo por estar a comandar uma campanha de desinformação.

Gambari deverá encontrar-se novamente com Aung San Suu Kyi e mais uma vez tentar ser o elo de ligação entre a junta militar e a oposição, contudo as esperanças de um futuro democrático para a Birmânia estão cada vez mais remotas.

Número de mortos por confirmar

Depois de mais de 14 dias de protesto, que atingiram o zénite na semana passada, hoje as duas maiores cidades birmanesas já aparentam ter votado à normalidade.

Com os monges aprisionados e a população civil ameaçada pelo cano das espingardas, os generais parecem já não ter nada a temer, até o recolher obrigatório foi reduzido em duas horas.

O número de mortos, vítimas dos confrontos, dividem-se entre os nove, valores oficiais e as várias centenas, previsão da diplomacia estrangeira no país e de várias organizações humanitárias.

Números que poderão nunca vir a ser confirmados, pois todas as organizações humanitárias estrangeiras estão proibidas de entrar no país.