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Expresso

Mês do Ambiente

Tudo se transforma

Sabia que o lixo, depois de devidamente separado e tratado, gera novas matérias-primas? Sabia que as matérias que saiem destas linhas industriais de reciclagem geram novos produtos que não são de qualidade inferior aos originais? Sabia que está rodeado de objectos feitos a partir de matérias recicladas no seu quotidiano? Veja neste dossiê como é que algumas campanhas estrangeiras tentam convencer os consumidores a praticarem a reciclagem tão simplesmente como respiram. Os argumentos são de peso! E você? Ainda não recicla?   

O lixo só se torna assunto quando incomoda. E se não estiver ao alcance da vista, é como se não existisse. No entanto, é um dos grandes desafios organizacionais das sociedades e das mentalidades, é uma questão ambiental para a qual todos podem contribuir de forma positiva.

Produzimos 1,3 kg de resíduos por dia, o que soma 500 kg ao ano. Quantas menos toneladas deste lixo forem enviados para aterros, mais anos levam eles a esgotar, menor é o seu número, menor é o número de cidadãos incomodados com a sua existência. Quantas mais toneladas de resíduos forem separadas na origem, tratadas, valorizadas e encaminhadas para reciclagem, menor é a quantidade de toneladas a serem incineradas e, consequentemente, menor é o volume de emissão para a atmosfera de gases que provocam efeitos de estufa – entre os quais está o famoso CO2.

A reciclagem não é uma abstracção: quem achar que o lixo orgânico não tem nenhum préstimo fique sabendo que, uma vez separado, vai para compostagem e dará um futuro adubo. Uma lata vazia de bebida pode acabar reciclada em peça de esquentador, bicicleta ou numa outra lata, o papel e o cartão podem voltar às prateleiras das lojas como caixotes, papel de escrita ou higiénico, o plástico transparente das garrafas de água pode transformar-se em polyester e este em malha polar, o plástico dos frascos de champô pode dar um tubo de rega ou um banco de jardim. O vidro, esse dá sempre vidro e não tem perda de qualidade, podendo ser reciclado até ao infinito.

Se estes não fossem ainda argumentos de peso, saiba que a taxa que os munícipes pagam às câmaras pela recolha e tratamento do lixo poderia disparar se elas não obtivessem receitas do que vendem para reciclagem.

Há uma série de empresas que tratam da recolha e encaminhamento dos resíduos para os retomadores das diferentes matérias. Estes separam-nas, tratam-nas e fazem-nas seguir para os recicladores que serão responsáveis pelos novos produtos feitos a partir daqueles materiais. Está provado que a qualidade não é inferior às matérias-primas originais e os controlos de qualidade e higiene são apertados. A título de exemplo, só o plástico PET, o transparente das garrafas de água, pode ser reciclado em embalagens que podem entrar em contacto directo com os alimentos.

Uma das partes mais difíceis de todo este processo é a comunicação. Não tem sido sempre fácil convencer os consumidores de que têm um papel fundamental em todo este processo. Mas a formação é fundamental e é um facto reconhecido que os mais jovens são os eco-consultores das famílias. Para eles, reciclar é um gesto tão natural como beber água.

Rui Berkemeier, da associação de protecção da natureza Quercus, deixa-o bem claro: "Para serem levados a contribuir para a reciclagem, os consumidores têm de ser tratados como príncipes".