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Expresso

Mês do Ambiente

O estado do Planeta

Uma viagem pelas vias da criação-destruição-renascimento que põe a tónica na ideia de reciclagem.

«Mais do que uma exposição sobre engenharia, ‘INGenuidades’ é um comentário sobre o estado do nosso planeta, transformado e mal gerido pelos humanos», escreveu Jorge Calado. A sua perspectiva quanto à relação do homem com o ambiente não parece ser, no entanto, a de uma caminhada interminável para o abismo - e, aliás, o tema último da conquista do Espaço pode entender-se como um final optimista (ou um começo promissor, iniciando a visita em sentido inverso), num itinerário que tem por objectivo didacticamente assumido mostrar o progresso técnico da humanidade.

A degradação da paisagem e os desastres causados pelas transformações climáticas (naturais e cíclicas ou provocadas pelo aquecimento global) atravessam a mostra e devem ler-se como sérias ameaças a que o presente tem de dar resposta. Mas o seu sentido não é ingénuo. De facto, a dialéctica da construção-destruição que está presente nas imagens de toda a exposição prolonga-se numa síntese que é expressa pela ideia de reciclagem. Esta é um dos grandes desafios do século, explica o comissário, definindo «INGenuidades» como «uma viagem pelas vias da criação-destruição-renascimento». As «Grandes Maravilhas» do engenho humano e da engenharia, reunidas no início, não são um capítulo encerrado do passado.

A fotografia feita na Austrália tem uma posição destacada na exposição e, não por acaso, é também neste país-continente que se têm sentido com maior violência algumas das mais preocupantes alterações do clima. A uma situação de seca muito pronunciada seguem-se incêndios de extrema violência, que em 2003 atingiram Camberra, a capital federal, fotografados por Nick Moir e Dean Sewell. São do segundo, no capítulo Fogo, um canguru reduzido a estátua em terra queimada e, já perto do final, na secção Electricidade, a árvore que espirra faúlhas e brasas incandescentes em primeiro plano, enquanto ao longe os automobilistas procuram fugir da cidade.

Sempre no capítulo das «Forças da Natureza», David Stephenson fotografa as cicatrizes deixadas pelas minas de cobre do monte Lyell, Tasmânia, 2005 (Terra) - adiante, Edward Burtynsky mostra as minas do Utah nos seus exactos grandes formatos. Robert Polidori faz o levantamento das devastações do Katrina em Nova Orleães (Água) e volta depois com uma impressionante Escola: Sala de Aula de Teoria Musical, Pripyat, 2001, visitada sob pesadas condições de segurança 15 anos depois. Nick Moir explora os céus onde se formam as tempestades e furacões (Ar).

No final da exposição, junto aos trabalhadores fotografados por Wolfgang Sievers, está um tríptico do islandês Hrafnkell Sigurdsson, Conversão Dois, 2006, que se abre numa imensa paisagem azul ou fecha sob camadas de lixo. Fica o recado final de que é preciso fazer um esforço.