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Expresso

Mês do Ambiente

Novo IA com CO2 não vai baixar o preço dos automóveis

Num mercado dominado por veículos de baixa cilindrada, a introdução de uma componente ambiental terá um impacto reduzido.

A previsão de vendas de veículos automóveis em Portugal, nos próximos dois anos, não vai além de 1,5%. “É um crescimento modesto, mas não há razão para grandes optimismos”, afirma Fernando Martorell, presidente da ACAP (Associação do Comércio Automóvel de Portugal), ao explicar que o mercado acaba de viver “o segundo pior ano de sempre, com uma diminuição de 5,1% nas vendas de veículos ligeiros e de 5,7% nos automóveis ligeiros de passageiros, face a 2005. Nos últimos sete anos, a quebra foi de 37% (de 411 mil para 259 mil veículos)”.

Num universo de 23 países da União Europeia, Portugal foi o que sofreu a maior quebra nos veículos ligeiros de passageiros, seguido por países como o Reino Unido (menos 3,9%) e França (menos 3,3%). Em contrapartida, os crescimentos ocorridos na Alemanha (3,8%) e em Itália (3,7%) foram decisivos para um acréscimo médio de 0,7% em 2006.

Para o ano em curso, a ACAP elaborou a sua previsão com base na melhoria de alguns indicadores económicos do Banco de Portugal (nomeadamente o crescimento de 1,5% no consumo privado), ressalvando que “o único sinal negativo é a taxa de juro, que tenderá a aumentar”. A previsão incorpora, igualmente, os efeitos previsíveis da alteração do Imposto Automóvel (IA), embora Fernando Martorell não acredite que vá ter uma “influência positiva no mercado global. O preço dos carros não vai baixar e não haverá diminuição da carga fiscal, mas uma transferência do IA para o imposto de circulação. Nalguns casos, os consumidores vão pagar mais ao longo da vida útil do automóvel”, sublinhou.

“Sempre defendemos que a fiscalidade é muito alta e devia baixar. Mas tal não vai acontecer”, frisou o presidente da ACAP, que criticou o cálculo do imposto de matrícula com base na cilindrada: "devia ser ad valorem". Mesmo assim, Martorell concorda com a ‘mexida’ no IA e a introdução da componente de CO2, “desde que não implique um aumento da carga fiscal no global”. De acordo com os cálculos da ACAP, os automóveis de baixa cilindrada pouco vão beneficiar da componente de CO2, até 2008, quando o peso dessa componente subir aos 60%. Os mais beneficiados serão os veículos a gasolina de alta cilindrada e menor valor de emissões de CO2, automóveis que têm um peso reduzido nas vendas. Em Portugal, 90% do mercado dos ligeiros de passageiros é constituído por veículos dos segmentos B (36,7%), C (37,1%) e D (15,4%), em consequência de um Imposto Automóvel que penaliza as altas cilindradas. Em contrapartida, é o país com menos emissões de CO2 (143,4 gramas por quilómetro percorrido), à frente da Itália (148 gr.), da Espanha (149 gr.) e da própria média europeia (162 gr.). Neste capítulo, os campeões da poluição são a Suécia (192 gr.), Alemanha (189 gr.) e Finlândia (178 gr.).