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Expresso

Mês do Ambiente

No curso da história

Momentos e nomes grandes da história da fotografia a pretexto das engenharias e vários jovens artistas para descobrir.

A fotografia é a última grande invenção da primeira Revolução Industrial. Divulgada em 1839, invade rapidamente todos os campos da actividade humana, documenta as grandes explorações e construções do século XIX e acompanha a dinâmica da diversificação e especialização das engenharias. No enorme cruzamento de temas desta exposição não cabem todas as vertentes da sua história, mas estão presentes várias direcções ou movimentos marcantes e muitos nomes de primeira linha.

Exibem-se provas de excepcional importância, como A Nave da Catedral de Wells, de Roger Fenton (c. 1860), o Pôr-do-Sol no oceano Pacífico, de Ansel Adams, com 1,70 metros de altura (c. 1953), o topo do Empire State em construção, de Lewis Hine (1931), também numa raríssima prova de exposição de grande formato, e mesmo ao lado outra prova «vintage» do famoso The Maypole, de Edward Steichen (1932), com múltiplas exposições. Ou a também célebre curiosidade fotográfica de George Barker, Niagara no Verão, Visto de Baixo (c. 1888), de composição ficcionada com vários negativos (o rochedo à esquerda é acrescentado).

Noutros casos trata-se de situar alguns momentos que ampliaram a possibilidade de ver, com O Primeiro Raio-X Humano, do professor Wilhelm Röntgen, 1896 (a mão enluvada da mulher e moeda numa caixa), Adam Clark Vroman, o primeiro que conseguiu fotografar bem as nuvens (Nuvens Perto da Enchanted Mesa, 1899), as já referidas proezas aéreas de George R. Lawrence (1906) e uma das primeiras fotografias radiotransmitidas, de René Barthélemy, o cianotipo Aeroplano Levantando Voo Dum Barco, 1930.

É possível percorrer a história da fotografia e encontrar os amadores que usaram o novo meio para fixar imagens artísticas de sítios e monumentos, como os ingleses Fenton e Charles Clifford, este na Corte espanhola de Isabel II, antes de se vulgarizarem os estúdios e a produção do exotismo. Dos pioneiros das vistas topográficas que partem para lugares distantes e instalam as primeiras empresas estão presentes Felice e Antonio Beato, Francis Frith, Carleton Watkins, Giacomo Brogi.

Entrado o século XX, aparece o primeiro Stieglitz simbolista, chamando A Mão do Homem, 1902-1911, à aproximação fumarenta do comboio, e Lewis Hine a denunciar a exploração infantil em 1908. Edward Weston instala-se no México (Pirâmide do Sol, 1923), onde influencia Alvarez Bravo (Instrumental, 1931), enquanto o peruano Martín Chambi, indígena quechua, fotografava Macchu Picchu (c. 1930).

Deste lado do Atlântico, Rodchenko alia vanguarda e propaganda nos anos 20, seguido pelos heróis do realismo estalinista de Arkadi Shaikheit e Max Alpert, que mostra a construção dos canais de Estaline (Fergana, 1939). Margareth Bourke-White fotografa em Moscovo, 1930?, e faz a capa do n.º 1 da «Life», em 1936 - veja-se outra foto da revista, de Nina Leen, 1947, sobre o trabalho da dona de casa. Em 1956, Dan Weiner regista o Boicote dos Autocarros, Alabama, no exacto início dos motins raciais.

E o percurso segue até hoje, com os mais jovens Harri Kallio e Mathieu Pernot, com uma alegoria do índio norte-americano Victor Masayesva Jr ou as extraordinárias imagens de Thomas Weinberger, que sobrepõem digitalmente o dia e a noite. A história continua.