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Expresso

Mês do Ambiente

Ambiente dá trabalho

A oferta de emprego verde está a disparar em Portugal. As oportunidades são sobretudo para técnicos intermédios e engenheiros do ambiente.

O último grande impulso em termos de criação de emprego que o sector do ambiente conheceu em Portugal remonta ao final da década de 90 e aos primeiros dois anos do novo século.

Um levantamento realizado pelo Centro de Estudos da Economia, Energia, dos Transportes e Ambiente (CEEETA) revela que, àquela data, perto de 40 mil pessoas tinham empregos verdes. Um estudo mais recente (de 2006), da responsabilidade do Instituto para a Qualidade na Formação (IQF), indica, porém, que de forma directa e indirecta, os postos de trabalho gerados no sector ultrapassavam os 64 mil.

Sobre esta questão não há consensos, mas apenas a convicção de que o potencial é enorme.

“Basta que cada média ou grande empresa decida recrutar um técnico da área do ambiente, para lhe assegurar, por exemplo, os relatórios de sustentabilidade - agora tão na moda -, para que o emprego dispare neste domínio”, garante Tomás Ramos, professor da Universidade Nova de Lisboa, especialista em questões ambientais e membro fundador do CEEETA.

E são já muitas, nomeadamente as grandes construtoras e as principais empresas industriais, que têm nos seus quadros engenheiros do ambiente. “As áreas da responsabilidade social e dos sistemas de gestão ambiental requerem quase obrigatoriamente profissionais com formação específica nestes domínios”, frisa o mesmo especialista.

Mas o quadro pode mudar radicalmente de figura assim que se comecem a concretizar todos os investimentos anunciados. Tomás Ramos admite que dentro de poucos anos, o número de empregos verdes possa duplicar em Portugal.

Entre os profissionais mais procurados a vantagem vai claramente para os engenheiros do ambiente. As universidades nacionais perceberam isso e estão já a formar gente em abundância para o mercado. No ano lectivo 2004/2005 estavam inscritos em cursos superiores da área do ambiente 7004 alunos, segundo dados apurados pelo IQF. A região de Lisboa, com 2.214 alunos matriculados, liderava a nível nacional.

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, considera que já se formam muito bons profissionais em Portugal na área das engenharias ambientais, mas que continua a haver uma falha ao nível dos técnicos intermédios. “E estes serão seguramente muito requisitados no futuro próximo, talvez até mais que os licenciados nesta mesma área”, enfatiza o ministro.

Em relação ao total da mão-de-obra activa Portugal tem já perto de 1% na área dos empregos verdes, número que ainda fica muito aquém do registado na Alemanha ou na França, onde esse valor sobe aos 3% da população empregada.