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Expresso

Mês da sustentabilidade

G8 ignora alterações climáticas

Os custos anuais para conseguir a estabilização das emissões dos gases com efeito de estufa representam cerca do 1% do PIB mundial, valor que poderá aumentar até aos 5% se não existir determinação em avançar já com medidas.

Mário de Carvalho

Para evitar o progressivo aumento da temperatura global, na sequência da libertação dos gases com efeito de estufa, torna-se necessário, nos próximos 15 a 20 anos, reduzir as emissões entre 25% a 40% - até 2020 -, e de 60% a 80% - até 2050, sendo 1990 o ano de referência.

Os indicadores revelados por Filipe Duarte Santos, professor catedrático, da Faculdade de Ciências de Lisboa, e um dos principais especialistas internacionais sobre alterações climáticas, estão longe do pensamento dos líderes do G8, que vão reunir entre os dias 7 e 9 de Julho, em Hokkaldo, no Japão.

Filipe Duarte Santos revelou, durante o encontro do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, que recentemente decorreu em Lisboa, que os custos anuais para conseguir a estabilização das emissões dos gases com efeito de estufa representam cerca do 1% do PIB mundial, valor que poderá aumentar até aos 5% do PIB mundial se não existir determinação em avançar já com medidas.

Entre as medidas a adoptar, o investigador destacou a necessidade de aumentar a eficiência energética na poupança de energia, com novos comportamentos em diversos sectores como os transportes e o comércio.

A progressiva substituição das energias convencionais (combustíveis fósseis) pelas renováveis, nomeadamente, eólicas, solar, geotérmicas, não ignorando neste contexto a energia nuclear, é outro desafio colocado perante a sociedade.

A questão da desflorestação, em particular das florestas tropicais, que representa cerca de 20% das emissões de CO2, é outras das soluções apontadas para impedir o aquecimento global, onde os países do G8 - EUA, Reino Unido, França, Japão, Canadá, Itália, Alemanha e Rússia -, têm particular responsabilidade.

Segundo Eugénio Sequeira, presidente de LPN-Liga para a Protecção de Natureza, da reunião do G8 "nada vai sair de importante pois eles já não decidem nada". Diz o presidente da LPN que a resolução deste problema passa agora sobretudo pela Índia e pela China. "Embora os EUA tenham uma posição de recusa em respeitar a redução das emissões dos gases com efeito de estufa, o problema está cada vez mais nas emissões emergentes da Índia e da China. O poder de impor da G8 e da Europa acabou".

O ambientalista defende ainda que na Europa "pode mostrar o caminho" aos países em desenvolvimento através da transferência de tecnologias.

Francisco Ferreira, dirigente de associação ambientalista Quercus, não espera igualmente grandes resultados do encontro, no Japão. "Os ministros do ambiente do G8 que reuniram no Japão não quiseram assumir nenhum compromisso relativamente a uma meta para a redução das emissões até 2020. Isso é um mau sinal".

Na reunião que decorreu no segunda quinzena de Maio, no Japão, apenas dois ministros do ambiente dos sete países mais industrializados do mundo e também a Rússia, limitaram-se a referir as indicações da redução das emissões de gases apontados pelas Nações Unidas e a prorrogar o prazo até 2050 das metas que deveriam ser atingidas em 2020.