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Há 100 anos uma greve acabou num massacre. “A luta daqueles trabalhadores é a mesma que deveríamos estar a travar hoje”

Greve dos trabalhadores da metalúrgica Vasena começou em dezembro de 1918 mas foi em janeiro do ano seguinte que a situação se descontrolou

WIKIMEDIA COMMONS

A metalúrgica Vasena era uma das mais poderosas da América do Sul, vivia um “momento de auge” e pretendia expandir-se. Os trabalhadores acreditavam que iam passar a trabalhar oito horas, em vez das 11 ou 12 habituais, e ter outros direitos. Protestaram, morreram e triunfaram, mas as suas “conquistas têm vindo a ser eliminadas pelo sucessivos governos da Argentina”, diz ao Expresso Horacio Ricardo Silva, historiador e autor de um livro sobre o tema, na semana em que se assinalam os 100 anos da Semana Trágica de 2019, na Argentina

Helena Bento

Helena Bento

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Jornalista

Juan Fiorini, um jovem argentino de 18 anos, estava no pátio de sua casa com uma chávena de chá de erva-mate nas mãos para dar à sua mãe, no bairro de Nueva Pompeya, na capital argentina, Buenos Aires, quando uma bala saída do cano de uma carabina atravessou a parede da sua casa, feita de tábuas, e o atingiu no peito. Os protestos dos trabalhadores da metalúrgica Vasena, considerada na altura uma das mais poderosas da América do Sul, já tinham começado antes, mas o episódio veio piorar tudo.

A morte do jovem aconteceu a 7 de janeiro e nos sete dias seguintes houve mais protestos e mais tiros disparados e mais corpos a cair, naquela que viria a ficar conhecida como a Semana Trágica de 1919. “Beber mate [infusão feita com folhas de erva-mate] tem um grande peso simbólico na Argentina, é considerado um ato sagrado, de partilha de amor e amizade”, e por isso a morte do jovem resultou numa “indignação geral partilhada inclusive pela classe média do país, tradicionalmente muito conservadora”, explica ao Expresso Horacio Ricardo Silva — historiador argentino, jornalista e autor do livro “Días rojos, verano Negro”, que se debruça sobre o tema.

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