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Francisco José Viegas: “Sabem, perdi quase tudo na vida - casamentos, carros - mas nunca perdi a minha caneta”

joana beleza

Num plantel com Herrera, Corona, Reyes e Layun, o detetive Jaime Ramos foi a figura do jogo. “Um policial é como um jogo de futebol: se aos 20 minutos ainda não temos um golo, fica aborrecido. Por isso nos meus livros morrem sempre três ou quatro personagens.” Palavras de Francisco José Viegas, que passou parte da manhã de quinta-feira numa escola de Guadalajara a falar sobre livros, rotinas de escrita, canetas especiais e até playlists de spotify. Numa sala cheia de jovens alunos, o futebol, claro, foi a porta de entrada, mas o final foi um pouco ao estilo marginal de Narcos - “o escritor é um ladrão”

Joana Beleza

Joana Beleza

texto e fotos. em Guadalajara

“Há 40 anos que esta caneta trabalha comigo.” Sentado num sofá, num pequeno palanque, braço erguido no ar, Francisco José Viegas confessa: “É a primeira vez que mostro a caneta que o meu pai me ofereceu quando tinha 17 anos. Sabem, perdi quase tudo na vida - casamentos, carros - mas nunca perdi esta caneta. Ainda funciona.” A ouvi-lo estão cerca de trinta estudantes, entre os 15 e 17 anos, porventura ainda sem idade para compreender inteiramente o vínculo do escritor a uma simples caneta. Talvez por isso, Viegas mostra também o caderno em que escreve e revela as suas rotinas: “Trabalho de madrugada, às 4h da manhã, porque é a hora a que as pessoas sobre as quais escrevo começam a dormir.”

“E o que o motiva a levantar-se da cama?”, pergunta um dos alunos do centro universitário UTEG, uma escola nos arredores de Guadalajara, que vai do ensino básico ao mestrado. “Acordo sempre com fome, por isso levanto-me, como, bebo um café, fumo um cigarro e começo a escrever. Com a mão direita seguro a caneta e na esquerda tenho o tabaco”. E continua: “para escrever policiais, o que me motiva é não saber o que vai acontecer. Nunca sei quem é o assassino e às vezes nem sei quem vai morrer. Mas um policial é como um jogo de futebol: se aos 20 minutos ainda não temos um golo, fica aborrecido. Por isso nos meus livros morrem sempre três ou quatro personagens”.

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