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“Os sujeitos da democracia representativa preferem ser súbditos a ser sujeitos inteiros”: ensaio de Clara Ferreira Alves

reuters

Donald Trump tem aproveitado como ninguém aquilo que os centristas e esquerdistas consideram a disfuncionalidade do sistema que põe o interesse individual acima do interesso coletivo e que valoriza o egocentrismo e o narcisismo como força motora do progresso. No último de cinco artigos publicados esta semana no Diário sobre as intercalares americanas da próxima terça-feira, Clara Ferreira Alves assina um ensaio no qual expõe um lamento: “Os sujeitos da democracia representativa estão, parece, cansados de serem representados. Preferem ser súbditos a ser sujeitos inteiros”

Clara Ferreira Alves

Clara Ferreira Alves

Escritora e Jornalista

Não é preciso ler o “Rei Lear” e Shakespeare para sabermos que poder dividido é poder perdido. Aqueles eram outros tempos e a essência da tragédia do rei não é a divisão do poder mas a cedência integral em troca da lisonja e da falsidade. Há muitas lições políticas em Shakespeare, mais vivas do que nunca, mas Donald Trump nunca leu o homem e, teme-se, os republicanos que o apoiam também não. A base, The Base elevada a parceiro político, quer-se convenientemente zangada e iletrada, porque a educação mata a espontaneidade nestas culturas bacterianas.

O que não impede o dono da Casa Branca de perceber que a lisonja é uma artimanha apreciada mas nunca deve ser trocada pela utilíssima mentira e muito menos usada como pretexto para a concessão ou partilha do poder. O poder quer-se uno e numa mão forte. Pensa ele. Os Founding Fathers da democracia americana nunca conheceram Mr. Trump mas desenharam um sistema político suficientemente blindado para impedir patriarcas e coronéis, abundantes a sul dos Estados Unidos, de mandarem na pátria.

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