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“Tenho inveja das pessoas que perderam tudo porque podem começar de novo”

Homem ao volante de uma mota no leste de Damasco, capital síria

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Há um sítio para onde eles não podem voltar. É o mesmo sítio onde nasceram. Não escolheram sair, alguém escolheu por eles. Muitos alguéns: o Exército sírio onde teriam de combater se não fugissem do país, os “rebeldes” anti-regime que se deixaram contaminar pelo extremismo, a destruição causada por ambos. A Guerra da Síria aconteceu-lhes e agora estão todos separados. Encontraram-se de novo em Beirute. Este é o último retrato de uma série de cinco que o Expresso trouxe do Líbano, de pessoas que lutam pela tolerância num país onde uma em cada seis pessoas é refugiada

Ana França

Ana França

Jornalista

Helena Bento

Helena Bento

em Beirute

Jornalista

— Não podemos voltar à Síria e não é só porque o país está destruído. Se o fizéssemos, seríamos obrigados a alistar-nos no Exército e não queremos. Assim que nos apanhassem na fronteira, mandavam-nos logo para a recruta — diz Madj Adid, de 29 anos, empregado de mesa num bar frequentado por sírios em Beirute.

Conhecemos Majd quando procurávamos um sítio onde a comunidade síria se reunisse, viesse ler os seus poemas e cozinhar a sua comida. Encontrámo-lo no Riwaq, um restaurante em Mar Mikhael, um dos principais distritos noturnos de Beirute. Perguntámos-lhe se podíamos falar com ele. Majd disse logo que sim, claro, com todo o gosto. Não só podia falar connosco, contar-nos a sua história, sim, claro, com todo o gosto, como pediria a uns amigos sírios, que conhecera na universidade em Damasco, para se juntar à conversa. No dia seguinte, uma quarta-feira, final de tarde, voltámos ao restaurante.

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