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As pessoas viam das janelas os homens que lhes mataram os filhos. E homens viam nas janelas quem lhes fez o mesmo

A Rua da Síria divide dois bairros que estiveram várias vezes em conflito, um habitado maioritariamente por sunitas e outros por alauítas

fOTO JOSEPH EID/AFP/GETTY IMAGES

Quem olha do cimo da cidadela de Trípoli não imagina que durante mais de 40 anos os bairros que daqui se veem estiveram em conflito aberto. As pessoas não se falavam, não vendiam os seus produtos a habitantes do outro lado da rua e os ataques de snipers matavam adolescentes sem culpa. Os libaneses ainda pensam que Trípoli é “um ninho de bárbaros” mas Yassmin Lawzi está - quase sozinha - a mudar isso. Este é o quarto retrato de uma série de cinco que o Expresso trouxe do Líbano, de pessoas que lutam pela tolerância num país onde uma em cada seis pessoas é refugiada

Ana França

Ana França

Jornalista

Helena Bento

Helena Bento

em Beirute

Jornalista

O castelo mais antigo de Trípoli tem uma moldura de tanques, carrinhas de caixa aberta apetrechadas com metralhadoras, homens armados e placas de betão. É um dos principais checkpoints da cidade, que durante mais de 40 anos viveu sob um conflito intermitente entre sunitas e alauítas.

Yassmin Lawzi antecipa o impacto que aquele cenário viria a provocar nas pessoas que, naquele domingo, levou a conhecer a sua cidade. “Temos lá os soldados porque ainda há o risco de confrontos e o governo não quer que nenhuma das fações ocupe o forte. Dali vês a cidade toda, podes ver os teus inimigos, as mesquitas, as concentrações de pessoas.”

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