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Tancos fora nada

lusa

Tirando as discussões sobre Tancos, o debate quinzenal foi morno com a esquerda amaciada pelas negociações do Orçamento. Sobre Azeredo Lopes, Costa manifestou total confiança, mas também foi cuidadoso a assumir que o ministro da Defesa não sabia do que constava no memorando entregue pela PJM ao seu ex-chefe de gabinete

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

Em política, todos os detalhes de linguagem contam. Cada palavra bem colocada no seu lugar tem um significado. Uma palavra no sítio errado pode gerar uma crise. Há palavras usadas com cautela. Quando há cuidados a ter, mais cautela aplica o político experiente nas suas palavras. Quase todas com intencionalidade e, neste caso, uma intencionalidade defensiva. A frase de António Costa no debate quinzenal desta quarta-feira sobre o que o ministro Azeredo Lopes sabia ou não sabia acerca do documento sobre operação encenada pela Polícia Judiciária Militar é cuidadosa. Fernando Negrão, líder parlamentar do PSD, perguntou ao primeiro-ministro se o ministro da Defesa tinha conhecimento do memorando entregue por dois oficiais da PJM ao seu ex-chefe de gabinete, tenente-general Martins Pereira. António Costa respondeu assim: “Não tenho conhecimento do documento que foi entregue no DCIAP. E a informação que tenho é que o ministro da Defesa não tinha conhecimento”.

Podemos tirar duas conclusões: António Costa é definitivo ao dizer que não conhecia o documento entregue à investigação; mas quanto ao ministro é mais cauteloso, porque se escuda na “informação” que tem. A questão é delicada, como as palavras. Se Costa quisesse ser absoluto na resposta, teria dito: “Não, o sr. ministro não sabia”. Mas não foi isso que o primeiro-ministro fez. A questão é que este pequeno detalhe - um discurso aparentemente defensivo - faz alimentar as especulações, não só sobre se Azeredo sabia mas sobre se essa “informação” ainda pode mudar nos próximos dias.

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