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A clínica de luxo para os milionários da angústia

Isto é sobre a catástrofe

Germano Oliveira

Editor executivo

d.r.

O primeiro nome dela é sibilante, dois S íntimos a formarem Marissa, o apelido é arquitetura gótica, Nadler, a forma ondulada do longo cabelo castanho-negro é um prontuário de delicadeza e a beleza que lhe vemos é como a música que lhe ouvimos - feições assimétricas e lentas, elegantes e tristes. A sedução dos danificados.

Marissa Nadler tem disco novo, 11 canções falsas-suaves, arte encharcada de dor e violência mas desacelerada e hospitaleira - uma clínica de luxo para os milionários da angústia. Chama-se “For My Crimes”, abre com um tema de nome igual e não é um acontecimento qualquer: há uma segunda voz que na verdade é uma primeira, um fantasma no corredor da morte cantado por Angel Olsen, a mulher dos acordes simples mais afiados do indie. É uma canção de pecado e contrição, uma injeção letal na memória: “Please don’t remember me for my crimes”.

Ao segundo tema, “I Can’t Listen to Gene Clark Anymore”, Marissa Nadler acompanha-se de Sharon Van Etten para lembrar aos felizes o que os infelizes aprenderam com aflição: há canções outrora partilhadas na euforia da paixão ou na monotonia do amor que se tornam proibidas, porque a euforia cessa e a monotonia destrói e o passado cabe numa canção mas o coração não, haverá de explodir ao ouvir o que se perdeu ou o que nunca se teve.

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