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“Fora do campus universitário é manifestamente impossível controlar a praxe”

José Caria

Para evitar abusos, algumas universidades proibiram todas as atividades que atentem à “dignidade do aluno”. Mas as praxes nem sempre acontecem dentro dos campus académicos e, aí, as universidades dizem nada poder fazer. Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores, defende uma maior atenção por parte das autoridades

Atravessavam em fila uma das mais movimentadas avenidas da cidade de Lisboa. Vinham alinhados aos pares. Vestiam t-shirts vermelhas, quase todos traziam calças de ganga e ténis. Elas usavam os cabelos apanhados, eles andavam de mochila às costas. Usavam roupa prática, como quem está preparado para correr, saltar e, talvez, até rebolar. Eram dezenas de jovens que não pareciam ter mais de 20 anos. Com eles, um grupo mais pequeno de jovens e mais velhos que envergam o traje académico, que os orientavam e, uma vez por outra, lhes gritavam qualquer coisa. Aquilo era praxe académica, mas para quem passava não era fácil identificar o curso ou instituição de ensino que pertenciam.
Situações destas veem-se com alguma frequência em cidades com polos universitários, sobretudo em setembro. Mas estando estes alunos a praxar fora das instituições, quem supervisiona? E se houver abusos, quem controla? Oficialmente, ninguém.

“Os reitores não podem controlar aquilo que está fora da esfera dos seus campus. Não podemos punir nem temos qualquer quadro jurídico normativo exterior ao próprio espaço da universidade”, diz ao Expresso António Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). “Dentro do campus acho que é possível fazer uma melhor pedagogia e controlar a situação. Fora dos campus é manifestamente impossível.”

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