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“Vi uma menina de 5 anos que tinha sido violada, pensei que nada pior podia acontecer. Na semana seguinte apareceu outra de 4 anos”

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Todas as semanas chegam casos de mulheres e crianças violadas à clínica dos Médicos Sem Fronteiras junto ao campo de Moria, em Lesbos. É mais que um por semana, conta ao Expresso o médico português Gustavo Vidal. Num local onde não deviam viver mais de 3100 estão mais de nove mil: por cada 80 pessoas há uma casa de banho, por cada 200 há um duche. Esperam horas para comer, beber água - e é nas filas que começam muitos conflitos. Vivem em contentores ou tendas. Não há espaço para as crianças brincarem, todos os locais vazios servem para colocar um novo abrigo

Um dia entrou na clínica uma menina de cinco anos. Tinha sido violada. Provavelmente apanhada enquanto esperava para ir à casa de banho, porque a vida em Moria, na ilha grega de Lesbos, vive-se assim: nas filas de espera. Gustavo Vidal lembra-se de questionar “como é possível?” e depois de pensar “não há nada pior que isto”. Mas estava enganado e a semana seguinte provou-lhe isso mesmo: entrou na clínica uma menina de quatro anos, também tinha sido violada.

“São mais pequenas, mais vulneráveis”, tenta Gustavo Vidal explicar o inexplicável. Tem 30 anos e é médico de clínica geral, esteve oito meses ao serviço dos Médicos Sem Fronteiras na Grécia (primeiro em Atenas, depois em Lesbos), onde coordenou as atividades médicas. “Nunca tinha lidado com a questão das violações infantis. Foi o que mais me chocou.” O mais frequente é que o agressor seja alguém sem qualquer laço familiar à vítima e poucas são as vezes em que é identificado. Não se fazem queixas por medo de represálias.

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