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Marcelo no adeus às aulas: as histórias de um professor excêntrico

Marcelo Rebelo de Sousa inspirou-se em Marcello Caetano: na primeira aula aos caloiros contava a história da Faculdade de Direito de Lisboa, de que se despede esta quinta-feira

Foto Alberto Frias

Rebelo de Sousa dá a sua última aula esta quinta-feira na faculdade onde entrou em 1966 como aluno. Começou a dar aulas em 1972. E dedicou uma vida àquela universidade: ensinar foi a sua vocação, mais que a política. Fez uma oral “gloriosa” a Ana Gomes. Teve Durão Barroso a vigiá-lo. Pagou obras do seu bolso. Roubou um valor na nota do irmão, só por ser irmão. Avaliou a futura namorada. Nunca deu um 19 numa licenciatura, apesar de ter sido essa a sua média. Eis a história do 'professor' Marcelo

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

A sala na Faculdade de Direito de Lisboa estava cheia naquele 7 de maio de 1984. Não admirava: Marcelo Rebelo de Sousa prestava provas para o segundo doutoramento a realizar-se na escola desde a Revolução (o primeiro tinha sido o do constitucionalista Jorge Miranda). Desde esse dia, passaram 34 anos. Esta quinta-feira à tarde, quando der a sua última aula na Faculdade de Direito de Lisboa, a Aula Magna da faculdade deve estar ainda mais a abarrotar de gente. Aquela escola tem na história nomes ilustres da política portuguesa, mas nenhum professor catedrático se jubilou na pele de Presidente da República. É um acontecimento.

Nos anos oitenta também foi. Marcelo dava aulas há 22 anos, mas ainda não era professor, muito menos “o professor”. Era jornalista, comentador, jurista e enfant terrible do PSD que fazia uma guerrilha terrível ao Bloco Central de Mota Pinto com a sua Nova Esperança. Aspirava à liderança. Leonor Beleza, a sua melhor amiga desde os tempos de estudante, era secretária de Estado da Segurança Social, mas para assistir ao doutoramento teve de sentar-se no chão e não nas cadeiras que ambos partilharam no final dos anos 60, porque não havia lugares. Baltazar Rebelo de Sousa e Maria das Neves tinham voado do Brasil para estar presentes no momento que sempre tinham sonhado para o filho. A namorada discreta, Rita Amaral Cabral, encostava-se a uma parede. José António Pinto Ribeiro assistia. A Nova Esperança também lá estava: Durão Barroso e Pedro Santana Lopes regressavam à faculdade onde um estivera na extrema-esquerda e o outro na extrema-direita (José Miguel Júdice e Nuno Morais Sarmento também faziam parte do grupo).

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