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“Ele estava sozinho, vivia onde nascemos todos. Aquilo foi um azar”: João, a única vítima do grande fogo de há 15 anos

TIAGO MIRANDA

Um incêndio que deflagrou em Canivete devastou 78% de Monchique em 2003, o mesmo concelho que sofre novamente. A única vítima mortal de há 15 anos foi João Nunes, um homem que terá perdido as chaves do carro quando se preparava para fugir

Hugo Tavares da Silva

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Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

Quando era pequeno ajudava os pais no campo e fabricava “aquelas brincadeiras das galenas” para ouvir rádio. Chegava a ouvir som de Rabat e a BBC de Londres. Ri-se, orgulhoso, a contar. O padre José Nunes cresceu entre cinco irmãos e perdeu um deles no incêndio que há 15 anos arrasou 78% do concelho de Monchique. “Não ficou nada”, recorda esse dia ao Expresso.

Ainda antes de puxar a fita atrás ao incêndio de 2003 que levou o irmão João, José lembra o que devastou o concelho quase dez anos antes. E, como tantas vezes durante a conversa, vai buscar os tempos de garoto. “Não havia bombas que pudessem chegar a sítio nenhum. As pessoas faziam fogo em todo o lado. Nunca vi um incêndio que atingisse um hectare. Os lugares estavam todos arrumados. Se houvesse um foco de incêndio à noite, alguém dava o alerta. Tocava o búzio, juntava-se a população toda e atacavam logo [as chamas]. Defendiam-se campos e animais.”

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