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Saiba como a Ford foi cúmplice da ditadura argentina. E há quem esteja a ser julgado, 40 anos depois

Antigos trabalhadores da Ford manifestam-se no início do julgamento que tem como arguidos antigos responsáveis da empresa

Foto Eitan Abramovich/AFP/Getty Images

Em 1976, a Ford Motor Argentina acolheu um centro ilegal de detenção nas suas instalações. Ali prendeu e torturou 24 trabalhadores da empresa. Os responsáveis na altura estão desde dezembro a ser julgados, num processo histórico que pode provar o envolvimento civil nos crimes contra a humanidade cometidos pela Junta Militar

Na memória da ditadura militar argentina, a marca Ford tem o seu lugar cativo. Porque, entre 1976 e 1983, ver um Ford Falcon verde escuro na rua era sinónimo de terror. Durante aqueles sete anos, era naqueles modelos que os militares se deslocavam e efetuavam os sequestros, que na sua maioria culminaram em mortes e em pelo menos 30 mil desaparecimentos forçados. O regresso da democracia não foi suficiente para retirar a estes carros o estatuto de símbolo da época mais negra do país. Mas, em contrapartida, trouxe uma longa investigação sobre as ligações da marca Ford à ditadura, relações essas que estão neste momento a ser dissecadas na Justiça.

O julgamento, que começou em dezembro do ano passado, chegou esta semana à audiência nº 16. Foi, como as anteriores, o local de reunião de testemunhas e sobreviventes chamados a relatar como, logo após o golpe de estado de 1976 que deu o poder à junta militar presidida por Jorge Rafael Videla, vários funcionários da Ford Motor Argentina foram sequestrados e torturados dentro das instalações da multinacional.

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