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Urrava, o fogo. E voltou a urrar

TIAGO MIRANDA

No Monte Branco da Foz do Carvalho, em Monchique, Otília viu “um fumo muito pequenino” lá ao fundo - veio-lhe à memória o que aí tinha vivido em 2003 e viu “o filme todo”. “Não se apaga. Agora vai por aí fora, não o param”

Otília fez de sentinela logo às seis da manhã. Da sua casa no Monte Branco da Foz do Carvalho, em Monchique, numa das encostas da Barragem de Odelouca, vislumbrava desde a véspera um pequeno incêndio muito perto da água. Era pequeno, quase insignificante. Mas, ainda assim, ligou muito cedo ao 112, pois a memória do passado assim o obrigava. Pouco depois passou um helicóptero, mas não mais do que isso. “Ignoraram-me.”

Ao início da tarde desta quarta-feira, ainda estava tudo calmo. Mas dez minutos depois, confirmando as previsões que anunciavam reacendimentos perto das 15h, as chamas galgariam a encosta. O pequeno moinho feito de pás estacionado na horta tilintava ao bater na chapa. Estava acelerado, anunciava o vento forte. “É para dar música aos pássaros enquanto comem”, atira a serena Otília, fingindo não saber durante alguns segundos que era aquele vento que ia dar corpo à besta que vai comendo o mato do outro lado da barragem.

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