Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

Há muitas necessidades que não são médicas, a madeira é uma delas – e há uma portuguesa a resolvê-las

Foto ANGELOS TZORTZINIS/AFP/Getty Images

Combustível para substituir a lenha, o Facebook como forma de seguimento ou kits de resposta à violação e que incluem pílulas do dia seguinte. Tudo isto foi desenvolvido pela Unidade de Apoio aos Deslocados Internos dos Médicos Sem Fronteiras, coordenada por Ana Santos, uma portuguesa de 35 anos. Em entrevista ao Expresso explica o que está a ser feito para ajudar os migrantes nos seus percursos, sobretudo em países como o Congo, com mais de cinco milhões de deslocados, e o Sudão do Sul, com dois milhões

Quais as maiores necessidades das pessoas que são forçadas a fugir de casa e a seguirem as rotas migratórias?
Na verdade, o que vemos na Europa é uma pequena parcela das pessoas que neste momento estão a migrar. São os que conseguiram sair da Líbia, mas há muita gente retida em território líbio, no Níger, na Nigéria. Neste momento, estamos ativamente num projeto do México, devido aos migrantes que atravessam a fronteira para os EUA, que é uma rota migratória com problemas parecidos. Como eles passam muito tempo ao relento, uma simples constipação pode transformar-se numa infeção muito mais difícil de tratar no momento em que são atendidos pelos médicos. Ou uma diarreia ou uma ferida que depois se transformam em problemas não só crónicos como muito mais difíceis de tratar. Há também necessidades que não são médicas, mas sim logísticas - estamos a falar de pessoas que já viajaram muitíssimo. Por exemplo, para as pessoas a bordo do Aquarius, a travessia no Mediterrâneo foi apenas a última fração da viagem. Estiveram muito tempo expostos à violência e sem terem uma cola social - aquilo que se perde quando saímos do nosso ambiente, da nossa cultura, da nossa família. Isso perde-se, e numa família que está sozinha, numa mãe que viaja sozinha com o filho, e às vezes com os filhos de outros, é um grande problema. Depois, há os problemas de saúde mental, que causam grande transtorno. Muitas vezes as pessoas que não estão capazes de viajar por essas mesmas razões são as mais vulneráveis à violência, por não conseguirem tomar decisões, por não terem dinheiro, por parecerem frágeis.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)