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“É muito triste ter de esperar que alguém morra para poder dar os seus medicamentos a outras pessoas”

FOTO LUIS ROBAYO/AFP/GETTY IMAGES

O cancro é segunda causa de morte na Venezuela e aquilo que já é de difícil cura está a tornar-se cura impossível. “Não há medicamentos, não há quimioterapia, não há radioterapia.” Um venezuelano lembra-se de percorrer metade de Caracas à procura de medicamentos para a mãe, outra diz-nos que a filha, com cancro há nove anos, tem “cada vez mais dores e está cada vez mais inchada por falta de medicação” e outro ainda convenceu a mãe a vir para Portugal tratar-se. “Sempre que fazia sessões de quimioterapia tinha de levar tudo, desde medicamentos, suplementos alimentares e soro”. Relatos de quem se confronta todos os dias com a falta de medicamentos na Venezuela

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A história, que neste caso não é só uma mas será a de várias mulheres, não é contada em primeira mão mas mostra, na opinião de Francisco Valencia, presidente da ONG venezuelana Codevida, como a falta de medicamentos na Venezuela é cada vez mais dramática. “Assim que uma mulher, qualquer mulher, descobre que tem cancro, pede logo para fazer uma dupla mastectomia para remover tudo e evitar que o cancro se espalhe pelo corpo.” E fá-lo, continua o nosso interlocutor, “porque sabe que não terá outra forma de se tratar, não terá acesso a tratamentos de quimioterapia nem aos medicamentos que deveria continuar a tomar mesmo depois desse tratamento”. É uma decisão “bastante drástica”, considera, “mas a melhor tendo em conta a situação humanitária em que vive o país”, diz em entrevista ao Expresso.

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