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O doente do quarto nº 68

Faz esta sexta-feira 50 anos que o então chefe do Governo, António de Oliveira Salazar, caiu de uma cadeira de lona no Forte de Santo António do Estoril, sua residência de verão, que marcou o princípio do fim da queda do ditador e do regime. Cerca de um mês depois seria operado de urgência ao cérebro, sequela da queda. A anestesista foi Maria Cristina da Câmara, que depois acompanhou o ditador na recuperação parcial de um gravíssimo AVC. Nos Arquivos Expresso reproduzimos o artigo publicado na revista de 27 de novembro de 2009 no qual, pela primeira vez em 41 anos, a médica falava da cirurgia mais famosa em que colaborou

Agradecimento em São Bento, a 28 de abril de 1969 (dia do seu 80.º aniversário), em que, aos microfones da Emissora Nacional, Salazar agradece os cuidados de que foi alvo, como se continuasse à frente do Governo

Agradecimento em São Bento, a 28 de abril de 1969 (dia do seu 80.º aniversário), em que, aos microfones da Emissora Nacional, Salazar agradece os cuidados de que foi alvo, como se continuasse à frente do Governo

d.r.

Na manhã de 3 de agosto de 1968, António de Oliveira Salazar cai de uma cadeira de lona na sua residência de verão. A queda e os seus efeitos não são imediatamente avaliados, mas, um mês depois, um exame neurológico sumário aponta para uma quase inevitável intervenção cirúrgica. Num repente, Eduardo Coelho, médico pessoal do presidente do Conselho (como era designado então o chefe do Governo) desde os finais da Segunda Guerra Mundial, tem de tomar algumas das decisões mais importantes da sua carreira. Professor de cardiologia, cabe-lhe escolher o cirurgião. Não são muitos os neurocirurgiões em quem se possa confiar para deitar mãos ao cérebro do presidente do Conselho. A primeira escolha vai para Eduardo Moradas Ferreira.

Não é um homem da situação, é até suspeito de ter simpatias com o clandestino PCP, mas é tido por competente e goza de toda a confiança de Eduardo Coelho. Infelizmente, está de férias na Madeira e não há avião capaz de o trazer a tempo. Outras opções são Gama Imaginário e Almeida Lima: um está doente, o outro, homem já de idade, não opera. Coelho recorre a Vasconcelos Marques, diretor de serviços do Hospital dos Capuchos, que, alarmado com a observação neurológica, força o internamento imediato. Não no Hospital de Jesus, como pretendia a governanta, D. Maria, mas na Cruz Vermelha - considerado o hospital de ponta.

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