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Naquela sala coube o sonho poético de Nareen, o desejo concreto de Faisal e o medo de todos os outros. Um medo com 5640 quilómetros

nuno botelho

No fim houve bolos com sabor a Síria, mas no início houve discussão com o ruído da guerra. No encontro entre um grupo de refugiados sírios e dois jesuítas, esta segunda-feira em Lisboa, a conversa foi constrangida pelo receio de ser ouvido em Damasco o que ali era dito

Christiana Martins

Christiana Martins

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

Duas mulheres de véu indicavam à partida que aquela seria uma tarde especial, mas as crianças, a cirandar, davam o tom de normalidade. Os homens mostravam-se tensos, contidos. Fez-se um círculo, uns sentados em cadeiras, de costas para a rua e para as grandes janelas, outros sentaram-se em sofás, de frente para os primeiros. Esses eram os presentes, os que se viam, mas havia mais quem lá estivesse e não se visse: os ouvidos de Damasco, a 5640 quilómetros de Lisboa.

O Centro de Acolhimento Temporário para Refugiados (CATR), no Lumiar, abriu-se para receber dois padres jesuítas. Um, português, Gonçalo Castro Fonseca, vive há um ano em Damasco. O outro, Fouad Nakla, é o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) na Síria. O objetivo da reunião era promover uma troca de experiências entre um grupo de sírios acolhidos por Portugal e os sacerdotes. Uma possibilidade de se trazerem notícias do país de origem e se levarem informações sobre como vivem cá. Mas a ideia é apenas um desejo, a realidade tem outra textura.

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