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O fogo arde onde há desleixo: ardeu a pobreza de Pedrógão, ardeu a riqueza de Mati

LUCILIA MONTEIRO e reuters

À esquerda Pedrógão em 2017, à direita a Grécia hoje: o horror das chamas não discrimina nem tem piedade. Como ler e ver a tragédia de Mati, que matou pelo menos 74 pessoas esta terça-feira, sem passar novamente pela mágoa profunda que silenciou Portugal há pouco mais de um ano? Nádia Piazza, presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, escreve para o Expresso Diário com a propriedade da dor de quem sabe como o fogo nos leva o mais querido: no caso, um filho de cinco anos

Nádia Piazza, presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande

Carros calcinados. Amontoados. Bairros inteiros em ruínas. Pessoas em fuga. Por fim, famílias inteiras mortas. Enlaçadas.

Os olhos buscam o que já sabemos. E já sabemos muito.

E olhos adentro regressam vívidas as imagens dos incêndios de Portugal em 2017.

Os incêndios têm o seu comportamento e, por fim, as pessoas também. Sejam portuguesas, sejam gregas, sejam sírias. As pessoas querem sobreviver. Não há muros suficientemente altos que as impeçam como não há medo suficientemente forte que as congele. Fogem ainda que de forma irrefletida. Mas avançam até serem paradas. E foram.

As pessoas em pânico fogem. As pessoas em família abraçam-se. A lição está estudada e validada. Aprendamos por fim.

O fogo não escolhe classes, nacionalidades, etnias nem credos. Arde onde há desleixo. Ardeu a pobreza de Pedrógão Grande, ardeu a riqueza de Mati. E arderá todos os sítios onde o desleixo e a incúria reinarem. Aprendamos por fim.

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