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“Imran Khan está para os paquistaneses como Trump esteve para os americanos nas eleições de novembro”

FOTO BILAWAL ARBAB/EPA

Um candidato na cadeia acusado de corrupção mas a que o povo estaria ainda assim disposto a perdoar, outro candidato tão anti-EUA quanto Donald Trump, com quem aliás se parece, e um Exército que quer continuar a interferir na política como sempre fez, mas não muito. Há eleições no Paquistão esta quarta-feira - e gente a morrer no meio de grande violência

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Não é difícil imaginar o que é ter metade de um contingente total de cerca de 700 mil soldados nas ruas em dia de eleições e também não é difícil imaginar as consequências que isso terá, pelo menos para Marvin G. Weinbaum, diretor de estudos do Afeganistão e Paquistão no Middle East Institute e autor de livros como “Pakistan and Afghanistan: resistance and reconstruction” (1994). “A sua presença poderá intimidar eleitores e mantê-los afastados das urnas.” O Paquistão vai a votos esta quarta-feira no meio de grande violência de grupos terroristas - só numa semana morreram mais de 150 pessoas - e de acusações de interferência nas eleições por parte do Exército, que estará, dizem os seus críticos e partidos políticos, a favorecer Imran Khan, líder do Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI). É tal a interferência que Marvin G. Weinbaum, que chegou a trabalhar como analista para o governo dos EUA entre 1999 e 2003, não acredita numa vitória da Liga Muçulmana do Paquistão (PMLN, centro-direita, conservadora), partido no governo nos últimos anos e “naturalmente o partido mais forte do país”.

Mais de 370 mil soldados (cerca de metade do contingente ativo) e paramilitares vão estar nas ruas no dia das eleições. É a primeira vez que isto acontece?
Estive no Paquistão para observar as eleições de 2009 e não vi nada assim. Havia polícia, mas nenhuma presença militar. O Exército justificou o envio de tantos militares para a rua alegando questões de segurança, mas de facto uma presença militar desta dimensão, em dia de eleições, é muito pouco comum. Há a perceção de que o objetivo é influenciar o voto individual e isso eu acredito que possam querer fazer, embora não ache que a influência e o controlo deles se possa estender, por exemplo, à contagem dos votos. No geral, ninguém viu com bons olhos a mobilização de um número tanto grande de militares para as ruas no dia das eleições. Ninguém confia neles.

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