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Refugiados que protegeram Snowden em Hong-Kong estão em risco de ser deportados

Vanessa Rodel e a filha Keana (à esq.), o casal Nadeeka Nonis e Supun Thilina Kellapatha, com os filhos Sethumdi (ao colo) e Dinath, e Ajith Kankanamalage (em segundo plano), fotografados no Tribunal de Apelo de Vítimas de Tortura, em Hong Kong. Embora os quatro adultos tenham chegado a Hong-Kong separadamente e apresentado os seus pedidos de asilo em alturas diferentes, as autoridades rejeitaram-nos em simultâneo, garantindo que isso nada tem a ver com Snowden

O antigo território britânico recusou os seus pedidos de asilo, e Canadá, que é o último recurso, continua sem lhes dar resposta. Suspeita-se que não quer irritar os EUA

Luís M. Faria

Jornalista

Ajith Kankanamalage passou três anos como recruta no exército do Sri Lanka, onde foi submetido a um tratamento brutal, incluindo abusos sexuais. Vanessa Rodel é filipina e foi raptada por um grupo comunista que a violou e agrediu repetidamente. São duas de muitas pessoas que tiveram de fugir para um país diferente por motivos de sobrevivência. No mesmo retrato cabem outros dois cidadãos do Sri Lanka, Supun Kellapatha e a sua esposa Nadeeka Dilrukshi, ambos igualmente vítimas de brutalidade no seu país. Os filhos deles têm agora seis e dois anos e Rodel também tem uma filha pequena – todas crianças apátridas, neste momento. Os sete vivem em Hong-Kong há anos e estão agora em risco de ser deportados. Motivo: acolheram Edward Snowden durante duas semanas em 2013, quando as autoridades americanas andavam freneticamente à procura dele no território.

A história de Snowden adquiriu fama universal logo na altura, mas essa parte só se tornou verdadeiramente conhecida em 2016, quando Oliver Stone fez um documentário sobre o assunto. Na altura os "anjos da guarda de Snowden" deram a cara nos media, e agora estão aparentemente a sofrer as consequências. Embora os quatro adultos tenham chegado a Hong-Kong separadamente e apresentado os seus pedidos de asilo em alturas diferentes, as autoridades estranhamente rejeitaram esses pedidos em simultâneo (garantindo que isso nada tem a ver com Snowden). Com as vias legais a chegar ao fim e uma esperança quase nula de sucesso – o antigo território britânico aceita menos de 1% dos pedidos de asilo – os representantes dos sete refugiados, como último recurso, decidiram pedir ao Canadá que os aceite.

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