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Este está quase. Mas para o ano é que é

Foto Tiago Miranda

A esquerda gostava que o Orçamento passasse. O Governo também. Mas isso está quase. Para o ano é que vai ser: todos os partidos vão endurecer discursos diferenciadores para se distinguirem nas Europeias e antes das legislativas. Assim que este OE for votado, vai parecer impossível montar qualquer nova ‘geringonça’. Só mesmo o futuro dirá. Não nos podemos esquecer de que o momento em que a ‘geringonça’ pareceu mais impossível foi quando foi criada

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

Os deputados vão de férias e a política está oficialmente a banhos a partir desta quarta-feira, mas não será por metade da classe dirigente do país estar a molhar os pés no Algarve que este vai ser um verão sossegado ou desinteressante. Está quase: desde que o clima continue a dificultar a propagação de incêndios (passámos o ano a especular o que acontecia politicamente se houvesse outra tragédia), só falta negociar e aprovar o Orçamento do Estado para o Governo passar à fase dois. Os banhos de sol serão perturbados por números, dramatizações retóricas e jogos públicos sobre negociações orçamentais - que é suposto acabarem bem, interessa a todos. Depois sim, começará a pré-campanha eleitoral, e toda a gente vai entrar no inverno a endurecer o discurso de tal maneira que não só uma nova ‘geringonça’ vai parecer ao longo de meses impossível de repetir, como todo e qualquer entendimento pós-eleitoral se assemelhará a uma miragem.

António Costa já deu os sinais de qual é a estratégia, apesar das ambiguidades do seu discurso nos últimos meses e que nem no interior do partido têm sido bem compreendidas. Como o Expresso noticiou este sábado, o primeiro-ministro foi na semana passada a Belém sossegar Marcelo Rebelo de Sousa e dizer que tudo fará para que o OE passe com a aprovação da esquerda, de forma que a legislatura se cumpra com tudo o que isso tem de inédito. Será uma vitória sua, pessoal, contra todas as probabilidades e vaticínios: com as contas certas no défice para apresentar em Bruxelas e o povo satisfeito com as devoluções de rendimentos.

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