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A disrupção como método político

Reuters

Quebrado pela pressão, Trump lá veio admitir que, sim, confia nos seus serviços secretos. Sim, mais do que em Vladimir Putin. Mas o dano estava feito e os aliados europeus estão a deixar de confiar na liderança norte-americana - incluindo na área da Defesa. Desta semana conturbada fica uma certeza: Trump faz da disrupção uma (potente) arma de marketing

Ana França

Ana França

Jornalista

No início era o verbo. Neste caso, um verbo modal. A gramática mal aplicada pode causar muitos problemas, ainda mais na língua inglesa, com todas aquelas contrações. Afinal, Donald Trump não disse não ver razão para uma ingerência russa nas eleições presidenciais, disse não ver razão para que não houvesse ingerência: em inglês as palavras são ‘would’ e a sua versão na negativa ‘wouldn’t’, que foneticamente são suficientemente semelhantes para causar confusão. “Numa parte muito importante no meu discurso eu disse: ‘Não vejo razão para terem sido os russos’ quando de facto o que queria ter dito era: ‘Não vejo razão nenhuma para não terem sido os russos’. Podem escrever isso. E, quando a esse assunto, creio que estamos resolvidos”, disse o presidente dos Estados Unidos terça-feira depois de ter atravessado uma das mais fortes tempestades de contestação - interna e externa - do seu mandato.

Por outro lado, não são precisos grandes artifícios de linguagem para colocar as questões mais contundentes. A que causou o momento mais delicado do mandato de Trump foi esta: “Em quem acredita?”, perguntou-lhe o jornalista da Associated Press Jonathan Lemire quando chegou a sua vez de questionar o presidente na conferência de imprensa que deu com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, em Helsínquia. O tema, ubíquo, era o da ingerência russa nas eleições presidenciais norte-americanas. Este foi o dia em que Donald Trump não conseguiu dizer que confiava mais nos seus serviços secretos do que...no ex-chefe do KGB. “A minha gente falou comigo, o Dan Coats [diretor dos serviços secretos] e outros e dizem que acham que foi a Rússia. Eu tenho o presidente Putin a dizer que não foi e eu digo o seguinte: não vejo nenhuma razão por que o fariam. Tenho muita confiança no meu pessoal das secretas mas o presidente Putin foi muito veemente a negar qualquer intromissão.”

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