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Alô, planeta Terra, vamos falar sobre uma utopia

Rita Carmo

Há um problema de atenção nos concertos. E é tempo de versar sobre isso

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

2018, planeta Terra. Ir a um grande festival de música e esperar que a plateia concentre todas as suas atenções no que se está a passar em palco é uma utopia. No NOS Alive, que este ano chegou à 12ª edição, isso é evidente – a tocar em Oeiras até pode estar Jack White, um dos mais carismáticos e talentosos estrategas do rock dos últimos 15 anos, que o mais provável é os seus ‘vizinhos’ de concerto estarem a tirar selfies ou a pôr a conversa em dia, tanto quanto o volume da música o permitir. Nas primeiras filas – e o NOS Alive é um festival gigante, tendo recebido 165 mil espectadores em três dias – concentram-se os fiéis, aqueles que entraram cedo no recinto, que não se importam de apanhar sol (ou chuva) na cabeça e que chegam à hora dos concertos dos seus artistas prediletos frescos como alfaces, prontos para lhes emprestar todo o carinho e devoção. No resto do recinto, o cenário é outro e nem vale a pena lutar contra esta dispersão de uma era em que telemóveis e net, publicidade e marcas, amigos e estranhos concorrem para nos desviar os olhos do palco. Se o referimos é apenas para explicar que, num festival desta dimensão, apenas uma banda podia conquistar a atenção – e o respeito – de todos, durante duas horas de concerto. E essa banda foram os Pearl Jam.

É verdade que Eddie Vedder e amigos fizeram uma espécie de ‘batota’ ao imporem que durante o seu espetáculo não houvesse mais concertos a decorrer no recinto. Não são os primeiros a fazê-lo: os Radiohead já fizeram pedido semelhante neste mesmo festival e Antony também não quis mais ninguém a tocar à mesma hora que ele quando passou pelo Primavera Sound, no Porto, há três anos. A multidão que se estendia frente ao palco principal quando os Pearl Jam se apresentaram, de mansinho, com ‘Low Light’ era assim impressionante. Mas para que se mantivessem concentrados e genuinamente emocionados era preciso que em palco estivesse um autêntico dínamo – como é Eddie Vedder – e uma banda com todas as condições para fazer de um festival a sua sala de estar: canções conhecidas de todos, que se confundem com momentos estruturais da vida de quem as ouve desde a juventude; um prazer evidente por tocar ao vivo, palpável na energia da atuação e na tendência para as jams e o improviso; uma ligação emocional aos fãs portugueses que é quase um laço de sangue e aquele sentido de comunidade que faz com que, sobretudo nos grandes clássicos, público e banda sejam um só. Os Pearl Jam entraram no palco grande com o jogo ganho mas fizeram tudo para merecer esse apoio incondicional e é assim que se constroem carreiras.

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