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“Permitir o desembarque de migrantes em Valência foi um gesto isolado de Espanha motivado pela atenção e pressão dos media. Isso não basta”

ana baião

Itália costumava querer receber as pessoas que vinham do mar mas desta vez não quis e isso é condenável porque “se uma pessoa está a sofrer, tem o direito fundamental de ser resgatada, independentemente do que a levou ao sofrimento”, diz ao Expresso alguém que costuma participar em operações de salvamento. Espanha e França nem sempre quiseram recebê-los mas desta vez abriram as suas portas, e isso não significa que sejam “hipócritas”, como acusou Matteo Salvini, ministro italiano do Interior, mas também não significa que sejam “responsáveis” ou especialmente bondosos. A Europa esquece-se aos poucos

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Quando toca a analisar o que se passou na semana passada, quando mais de 600 pessoas vindas da Líbia estiveram durante cerca de dois dias dentro de um navio, em águas altas, sem saber o que lhes ia acontecer, depois de o novo Governo italiano aparentemente liderado por Giuseppe Conte ter começado a cumprir uma das suas principais promessas de campanha e recusado o desembarque num porto italiano, há várias conclusões a retirar mas a principal talvez seja que não há países mais generosos ou responsáveis do que outros no que diz respeito aos refugiados, há apenas países mais hábeis em disfarçar as suas intenções e que nos levam a confundir interesses políticos com humanismo. Izza Leghtas, advogada do Europe Refugees International, resume isto em poucas mas incisivas palavras: “Todos são responsáveis por isto, todos falharam a diferentes níveis. Itália e Malta porque negaram a entrada e os restantes países da Europa porque não fizeram a sua parte, não acolheram tantos quantos deveriam ter acolhido”, diz ao Expresso. A mesma repartição igualitária de culpas pelos países europeus é feita no editorial do “Observer”, do britânico “The Guardian”, publicado no domingo, em que se diz desde logo que a situação do Aquarius, navio da organização não-governamental francesa SOS Mediterranée que resgatou 629 refugiados da água e de barcos insufláveis no Mediterrâneo, servirá como uma espécie de lembrete das “terríveis falhas da política migratória” da Europa.

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