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Refugiados. Portugal deve aprender com os erros da Europa, defendem especialistas

O êxodo dos muçulmanos rohingya de Myanmar contribuiu em larga escala para o alarmante número de quase 70 milhões de deslocados no ano passado

CLODAGH KILCOYNE/reuters

68,5 milhões de pessoas deslocadas em 2017, mais de metade crianças. Sudão do Sul, República Democrática do Congo e êxodo dos muçulmanos rohingya de Myanmar ajudam a explicar estes números, incluídos no relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Acolhimento de deslocados deve ser “imperativo nacional”, defende o presidente do Conselho Português para os Refugiados. Esta quarta-feira assinala-se o Dia Mundial do Refugiado

“Apesar de não ser um dado novo, continua a ser bastante ilustrativo que 85% dos refugiados se encontrem em países em desenvolvimento”, diz ao Expresso o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, na sigla em inglês), André Costa Jorge. O responsável destaca este dado como um dos mais relevantes do relatório do ACNUR, a agência da ONU para os refugiados, divulgado esta terça-feira e intitulado “Global Trends – Forced Displacement in 2017” (Tendências Globais – Deslocamento Forçado em 2017). Porque “contraria a ideia de que são os países do norte, mais ricos, que estão assoberbados e com maior responsabilidade nesta matéria”, explica.

Quando a Europa assiste ao ressurgimento de “discursos populistas e xenófobos e, mais preocupante, a ações que os materializam”, torna-se importante olhar para os factos que “muitas vezes desconstroem os mitos em que estes discursos se apoiam”, refere o diretor da organização católica internacional. Recentemente, a materialização dessa retórica aconteceu no caso do “Aquarius” e de outros dois navios, que transportavam 630 migrantes: as autoridades de Itália e de Malta recusaram-se a recebê-los, antes de Espanha montar a maior operação humanitária de sempre para os acolher. Mas o diretor do JRS não tem dúvidas: “A Europa tem capacidade para acolher muitos mais refugiados do que os que acolhe atualmente”.

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