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É preciso apenas desligar a luz

Mazzy Star no festival Coachella, em 2012

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São quatro canções apenas e apenas sobre uma delas se pode dizer que é garantidamente nova. Passaram quase 30 anos desde que os Mazzy Star lançaram o primeiro álbum mas pouco mudou desde então. Eles não mudaram e a música deles também não - aliás, nesse aspeto a voz de Hope Sandoval é um verdadeiro caso de estudo. Tudo em “Still” é doutro tempo e ainda bem que assim o é. Até porque há poucas garantias de que o nosso seja o melhor

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Os Mazzy Star regressaram aos discos quatro anos depois de “Seasons of Your Day” e quase 30 anos depois do seu álbum de estreia, mas nada neles é propriamente novo. As novas canções, apenas quatro, não são tão novas assim - duas delas já tinham sido tocadas ao vivo numa tour em 2000, em concertos em Londres e em Oslo - e outra tinha sido incluída, noutra versão, no segundo álbum da banda, ao qual dá aliás título, “So tonight that I might see”, lançado em 1993. Também a postura da enigmática Hope Sandoval e do guitarrista não menos enigmático David Roback não parece ter-se alterado nem um bocadinho e pelo menos até 2013 continuava a ser tão difícil entrevistá-los como era nos anos 90, quando eles surgiram. “Entrevistar os Mazzy Star é como lançar pedras para um poço profundo e esperar por um leve barulho”, escrevia Dorian Lynskey, crítico de música do “Guardian”, há cinco anos. Eram os silêncios longos, muito longos, a roçar o incómodo, e as respostas curtas e vagas e puxadas a ferros, quando as havia. Um exemplo, tirado dessa entrevista ao jornal britânico: “Quando é que começaram a escrever estas canções?”, pergunta o entrevistador, ao que Roback responde: “Não estou assim tão interessado em ir à origem de tudo”. Outro: “Perceberam que sentiam falta de tocar ao vivo?”. E a resposta: “Estamos felizes por estar onde estamos agora”. Outros entrevistadores tiveram ou viriam a ter experiências semelhantes, de tal modo que entrevistar os Mazzy Star se tornou quase um ato de coragem (que a nós nos faltou, obviamente). Aqueles que com eles privaram ao longo do tempo dizem que Hope Sandoval e David Roback são apenas tímidos e envergonhados, em conversas e no palco, que não há sobranceria alguma ali ou arrogância. Geoff Travis, fundador da editora britânica Rough Trade, pela qual foi lançado o primeiro álbum da banda, “She Hangs Brightly”, e agora também o EP, dizia numa entrevista à “Uncut”, em 2015, que eles não são “como as pessoas normais do rock n’roll” e isso talvez ajude a explicar algumas coisas.

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