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Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

Redator Principal

Angola, Ob la di, Ob la da e o meu espírito de Natal

Não posso explicar melhor o meu sentimentalismo da época do que revelar-vos que esta manhã, ao saltar das cafundas do meu iPhone a pior canção dos “The Beatles”, Ob la di, Ob la da (1968), fiquei contente e cantarolei-a. Raramente chego a momentos tão baixos da estética musical e tão altos da boa vontade, mas foi o que aconteceu. Por isso, quando li a crónica “Mensagem de harmonia expressa em dia de Natal” do diretor do “Jornal de Angola”, agradeci-lhe, intimamente o texto. Agora, aqui estou a agradecê-lo publicamente

José Ribeiro, o dito diretor, diz algumas coisas que podem parecer ofensas. Mas, no fundo, estão imbuídas do melhor espírito da quadra. Por exemplo, escreve ele: “Quarenta e um anos depois da independência de Angola, as elites portuguesas continuam a tratar-nos com má educação, como se ainda fôssemos seus escravos. A forma execrável como trataram Angola por causa do caso dos “Revus”, e em particular do cidadão português Luaty Beirão, investigado e acusado de crimes graves em Angola, é característica dessa atitude de Lisboa”. E eu, que estava esquecido da podridão de Angola e do seu regime, relembrei-me e tive um pensamento para os milhões de pobres que por lá vegetam entre os carros de luxo e a ostentação dos super-ricos do regime. Esta atitude trouxe-me, ainda que mentalmente, a paz da justiça. Andava demasiado de volta dos sírios, esquecendo que genocídios os há por muitas partes do mundo e por muitas formas. E alguns deles até invocam o Natal cristão.

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