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Expresso

Expo’98 dez anos depois

EXPO'98, meu amor

Os anos que antecederam à abertura da Exposição Internacional de Lisboa, contados na primeira pessoa.

Margarida Magalhães Ramalho, ex-quadro da EXPO'98

Comecei a trabalhar na Expo a 1 de Março de 1993. A minha primeira tarefa foi uma exposição, a inaugurar no ano seguinte, no Museu Soares dos Reis, no Porto que homenageava a construção do Palácio de Cristal e a primeira Exposição Internacional Portuguesa, em 1865.

Nessa altura, ocupávamos parte das instalações da antiga Dialap, na Marechal Gomes da Costa, hoje sede da RDP/RTP. Não chegaríamos a 50 pessoas. À medida que a data da exposição se aproximava, salas e corredores enchiam-se. As noitadas passaram a fazer parte da rotina diária. Espírito de equipa, comunicação entre departamentos, acesso fácil às chefias marcaram os primeiros anos de funcionamento. Apesar de algumas situações surreais, a maioria continuou a dar o litro, o hectolitro e, em muitos casos, o quilolitro.

A 22 de Maio, dia de Santa Rita, padroeira das causas impossíveis, a EXPO'98 abria portas. Até 30 de Setembro foi revisitada vezes sem conta. No último dia, o público à porta era tanto, que foi preciso levantar os torniquetes e dar livre acesso. Apesar das histórias mal contadas, dos escândalos, da derrapagem financeira, valera a pena. Acabada a festa, a cidade ganhava uma nova zona ribeirinha, o Oceanário, o Museu da Ciência e o Pavilhão Atlântico. Pena que, posteriormente, se tivesse adulterado o plano original e a área de construção quase tivesse duplicado.

Houve gente extraordinária neste projecto. Na maior parte dos casos continuam anónimos mas foi graças a eles que a EXPO'98 foi um sucesso. Estou-lhes profundamente grata por terem partilhado comigo, ao longo de quase seis anos, uma experiência inesquecível. Ao António Mega Ferreira, com quem trabalhei, e ao Vasco da Graça Moura, que não conheço, agradeço terem tido esta ideia e terem apostado nela. Que outros lhes sigam o exemplo.