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"Se for necessário paramos o campeonato", ameaça Joaquim Evangelista

O presidente do Sindicato dos Jogadores classificou de "desonestas" e "hipócritas" as propostas anunciadas por Hermínio Loureiro, que prevêem punições fortes para os clubes que não tenham os salários em dia.

O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista, ameaçou hoje com uma "greve" e considerou "desonesta" a proposta da Liga para os pressupostos de inscrição dos clubes para a temporada 2008/09 que visa combater os atrasos salariais.

Em causa está a excepção aprovada pela Comissão Executiva da Liga que permite a inscrição dos clubes que tenham estabelecido acordos para o pagamento de dívidas salariais, ou cujos montantes sejam objecto de litígio judicial.

"Admitindo estar errado e poder vir a retratar-me, isto pode significar 'zero'...", afirmou Evangelista, explicando que "80 a 90 por cento (dos casos) são litigiosos", pelo que a proposta pode ser de uma "bondade falaciosa".

O presidente do Sindicato deu mesmo o exemplo dos jogadores do Boavista e do Estrela da Amadora, que terão rescindido os contratos e seguido a via judicial, habilitando desta forma o clube a não considerar as respectivas dívidas como um impedimento para a inscrição.

"No caso do Boavista: como ficam os que não receberam?", perguntou Evangelista, acrescentando: "Já me ligaram do Estrela (da Amadora) a perguntar se o clube vai ter de pagar para se inscrever ou não".

"Eles que nos ponham à prova"

Joaquim Evangelista não poupou palavras e considerou a proposta como uma "hipocrisia" e uma "desonestidade", reiterando: "Os jogadores terão de tomar posição", "se for necessário paramos o campeonato", "não é cenário longínquo", "eles que nos ponham à prova e depois vão ver as consequências".

A inexistência de dívidas salariais a jogadores ou treinadores passa a ser obrigatória para que os clubes se inscrevam nas competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional em 2008/2009.

A definição dos Pressupostos Financeiros para a época 2008/2009, comunicada terça-feira aos clubes da Liga e da Liga de Honra, tem como grande alteração essa obrigatoriedade, mas também reformula o quadro de sanções, mais rigorosas que as previstas na temporada que acabou.

Até agora, o incumprimento dos pressupostos financeiros implicava o indeferimento do processo de candidatura, agora passa a ter como sanções o impedimento de participação, desclassificação para a divisão inferior, perda do direito de promoção ou exclusão das competições profissionais.

Na época que vai começar a Liga pede expressamente uma declaração aos clubes e SAD de não terem dívidas salariais a jogadores e treinadores com referência à época desportiva 2007/2008. Em concreto, estão em causa os montantes devidos até 30 de Abril de 2008.

Exceptuam-se as dívidas relativas à remuneração-base ou compensação mensal que tenham sido objecto de acordo escrito de regularização, ou cujo reconhecimento seja objecto de litígio, cabendo ao clube a prova desse acordo ou da pendência jurisdicional.