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Nelson Évora contra a reeleição de Vicente Moura

"Sinto que os Jogos de Pequim foram uma viagem de barco numa nau sem comandante. Estivemos por nós próprios desde o início até ao fim", diz o campeão olímpico de triplo salto.

O campeão olímpico do triplo salto Nelson Évora defende a ideia de que os atletas olímpicos portugueses fizeram uma "viagem de barco numa nau sem comandante", durante os Jogos de Pequim-2008.

"Sinto que os Jogos foram uma viagem de barco numa nau sem comandante. Estivemos por nós próprios desde o início até ao fim. Não tivemos reuniões prévias, informaram-nos mais ou menos das coisas, tivemos de perguntar uns aos outros onde é que era o quê e para que servia", desabafou Nelson Évora.

Em conferência de imprensa, o campeão olímpico e do mundo manteve o dedo apontado aos responsáveis da Missão Olímpica e disse que em Pequim fez o que lhe competia, apesar de estar "magoado antes da prova com tudo o se passava" à sua volta. "Mantive-me concentrado e focado no que tinha para fazer e correu bem", sublinhou, garantindo não se ter sentido usado quando, após a conquista da medalha de ouro, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, inflectiu a sua posição e anunciou a recandidatura a um novo mandato.

Nelson Évora partilha da posição da Comissão de Atletas Olímpicos, que pela voz do seu presidente, Nuno Fernandes, demarcou-se hoje da posição da maioria das federações em apoiar Vicente Moura na recandidatura à presidência do COP.

Também Gustavo Lima, velejador que terminou em 4.º lugar na classe Laser, em Pequim-2008, a um ponto do pódio, se revê na posição da Comissão de Atletas, deixando algumas críticas ao actual elenco da Federação Portuguesa de Vela. "Nós, os velejadores, estamos na expectativa, uma vez que a actual Direcção só sairá em Março e não se pronunciou connosco. Neste momento, também não estamos com as melhores relações com a nossa Federação e talvez depois de Março a opinião seja diferente", explicou Gustavo Lima.

O velejador não percebe "como tantas federações estão do lado de Vicente Moura", pedindo "alguma sensibilidade" aos dirigentes, uma vez que são os "atletas que sofrem na pele as regras do desporto".