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"Não me sinto um Dom Sebastião"

Na primeira entrevista como novo responsável pelo futebol, Rui Costa conta como, por duas vezes perdeu (muito) dinheiro por amor à camisola. Confessa que sempre fumou e aposta no renascimento do benfiquismo. Mas alerta que para ser campeão é preciso tempo e paciência.

Entrevista de José Pedro Castanheira e Paulo Paixão; fotografias de Luiz Carvalho

Dias antes de dobrar a camisola 10, Rui Manuel César Costa, 36 anos, recebeu o "Expresso" no seu restaurante, em Lisboa. Um balanço de 18 anos de futebolista profissional, uma dúzia dos quais em Itália. Mas sempre a pensar no retorno ao seu clube de sempre, onde esta semana iniciou as funções de director desportivo.

Se pudesse voltar atrás, teria regressado mais cedo ao Benfica?

O jogador abandonou os relvados, mas o director desportivo vai continuar no centro do futebol encarnado

O jogador abandonou os relvados, mas o director desportivo vai continuar no centro do futebol encarnado

O regresso não teve a ver com a minha vontade, mas com as condições entre clubes, que impediram que voltasse mais cedo. Muitas pessoas questionam porque só regressei aos 34 anos. Lembro que, quando saí da Fiorentina, em 2001, custei ao Milão 45 milhões de euros. Uma verba que o Benfica não podia, de forma alguma, pagar. O não ter regressado antes nunca teve a ver com condições que eu tenha colocado. E demonstrei isso quando voltei, pois ainda tinha mais um ano de contrato com o Milão. Voltei com um contrato em branco. Disse ao Presidente para preencher a parte relativa ao salário. Essa era para mim a parte menos importante. Apenas fiz uma exigência: ter o meu número 10 nas costas! Já agora, gostava de dizer que quando saí do Benfica, fi-lo pela necessidade que na altura o Benfica tinha de realizar um encaixe financeiro!

E saiu para onde quis? Não. Saí para onde o Benfica indicou. No verão quente de 93, quando alguns jogadores do Benfica saíram para o Sporting, eu fiquei. Para mim não era uma questão de dinheiro e tinha ordenados em atraso! Essa atitude levou o Presidente Jorge Brito a prometer-me que, a ir para o estrangeiro, eu poderia escolher o Clube. Apareceu o Barcelona e acordámos tudo com eles para que a transferência se desse na época 94/95. Fiz fotografias com a camisola do Barça. Entretanto, Manuel Damásio foi eleito e o acordo caiu por terra.

Nestes dois anos - no primeiro com as lesões, neste com os maus resultados desportivos -, em algum momento se arrependeu? Não. No ano passado, tive a lesão mais chata e prolongada da minha carreira, por um erro de diagnóstico. Digo isto como constatação, não como acusação contra ninguém. Quem trabalhou depois para a minha recuperação, ajudando-me bastante e pondo-me de pé, foi o departamento médico do Benfica.

Quem cometeu o erro médico? Não faço caça às bruxas, não é vantajoso - nem para mim nem para ninguém. Acabei por jogar com uma rotura muscular, quando se pensava que era uma contractura - e, com isso, rasguei o resto do músculo. Isso fez-me estar parado quatro meses e meio. Depois tive uma segunda lesão, mais curta. No total, perdi cinco meses e meio da época.

E na época que terminou há uma semana, foi o calvário dos resultados... Sim. Mas, em nenhum momento me arrependi de ter voltado. Apesar dos resultados menos bons, nada supera a felicidade que tive de terminar a minha carreira perante o meu público, na minha 'casa' e daquela maneira fantástica. Quando voltei tinha na cabeça, unicamente, terminar onde tinha começado. Não terminar só por terminar, com algum egoísmo, mas ter condições para terminar a carreira a bons níveis. As lesões do ano passado puseram um pouco em causa essa minha boa vontade, porque houve quem dissesse que vim para cá apenas a para me arrastar, felizmente esta época mostrou que isso não era verdade.

Ponderou antecipar o final da carreira por causa da lesão? Não! Foi posta em causa a finalização da carreira pela lesão, o que é diferente. Ponderar, nunca ponderei...

Mas o sacrifício que deve ter feito para a ultrapassar não foi violento? Valeu a pena esse esforço? Claro que valeu... Se eu tinha como grande ambição e objectivo acabar a carreira no clube onde comecei - e fazê-lo a bons níveis -, faria tudo para recuperar da lesão, porque não era daquela forma que a queria terminar. Quando foi feito o diagnóstico correcto da lesão (hoje, não preciso de o esconder), corri o risco de terminar a carreira nesse dia.

"Vim ganhar para o Benfica 12,5% do salário do Milão"

Em Florença, em 1994. Desde os tempos de Itália que prometeu regressar ao “seu” Benfica

Em Florença, em 1994. Desde os tempos de Itália que prometeu regressar ao “seu” Benfica

Arquivo Expresso

Foi bandeira de vários candidatos à presidência do Benfica, que em parte se fizeram eleger com a ideia de que você poderia voltar. Esteve em algum momento perto de voltar? Ou sente, a esta distância, que foi instrumentalizado? Vou tentar explicar de forma sintética, mas ao mesmo tempo explícita. A determinada altura, disse que voltaria ao Benfica com qualquer presidente. Voltaria com todos, porque não voltaria para o presidente do Benfica. Sempre disse: vou voltar ao Benfica, não ao presidente, não ao treinador. Nunca me ofereci a um presidente, nunca - voluntariamente - me envolvi em nenhuma campanha eleitoral. Posso ter cometido alguns erros ingénuos, pela grande vontade de voltar ao clube.

Sente que foi usado em algum momento? A esta distância, com 36 anos, tendo uma visão das coisas que não tinha na altura, acho que acabei por ser usado por algumas pessoas. Houve quem fosse mais correcto e quem o fosse menos. Houve quem tenha abusado da minha boa fé!

Quem foram essas pessoas? Não vale a pena dizer os nomes.

Assim, deixa a suspeita sobre todos os presidentes! Em todas as campanhas, para todos os candidatos a presidente, eu voltava ao clube. Cheguei a falar com alguns. Outros foram mais correctos e perguntaram-me: "Há alguma possibilidade de voltares?"

Quais foram os que levaram as conversações mais adiante? Não vale a pena falar disso, porque estaria a fazer campanha outra vez. Houve quem nunca nomeasse o meu nome e me tenha contactado para saber se era possível a minha contratação (ou não), ou se tinha interesse em regressar. A resposta foi sempre a mesma. E a pergunta que vinha a seguir também era sempre a mesma: quanto é que achas que custa a transferência?

E as hipóteses acabavam aí? Sim, quando se sabia quanto poderia custar a transferência na negociação entre os clubes.

Alguma vez esteve mesmo com um pé dentro do Benfica? Nunca.

Nem mesmo quando foi contactado por Trapattoni, em 2004? Houve contactos, mas não chegou a haver uma possibilidade real. Houve uma tentativa mais consistente, quando acabou o Europeu. Tentou-se a operação (que acabou por fazer-se dois anos mais tarde), mas não foi viável. Nessa altura, o Milão ainda pedia uma quantia elevada. Portanto, nunca se colocou ao Rui Costa jogador saber quanto é que custaria ao Benfica. Nunca apresentei um valor para voltar. Nem quando regressei.

Quando acertou o regresso, aceitou a proposta que o Benfica lhe fez? Só soube quanto ganhava no Benfica ao fim do primeiro mês. Vim - como já disse - com um contrato em branco e com uma única exigência: o número 10!

Era dos que mais ganhava? Não vou dizer quanto estava a ganhar, mas posso dizer que estava a meio do plantel. Mas só soube disso quando recebi o primeiro ordenado.

Era muito menos do que ganhava no Milão? Bastante menos, mas não vou entrar por aí.

E quanto ganhava no Milão? Se forem às Finanças (de Itália) podem ver (risos). Todos os anos saem as listas, por vezes são os clubes que as divulgam.

Mas qual foi a percentagem, do salário do Milão, que veio ganhar para o Benfica? Bom, já vi que não vão descansar, vou fazer a conta - nunca a fiz. Palavra de honra que nunca a fiz! (Pausa, enquanto faz a conta no telemóvel). Eram 12,5%.

"Sousa Cintra ofereceu-me cinco vezes o salário do Benfica. Recusei"

Abraçado pelos adeptos, no jogo de despedida

Abraçado pelos adeptos, no jogo de despedida

Ao todo, jogou apenas cinco épocas nos seniores do Benfica, nas quais conquistou somente um campeonato e uma taça. Em termos relativos, é quase impossível encontrar na história do clube um futebolista que tenha suscitado tanta paixão. Como explica esta devoção dos adeptos?

Sim, pode parecer estranho, principalmente quando olho para outros grande símbolos do clube que ganharam dez campeonatos. Houve quem marcasse as coisas de uma maneira, houve quem marcasse de outra. Eu tenho só cinco anos de profissional, mas tenho 11 anos de futebol juvenil. E tenho alguns episódios que marcaram as pessoas, porquanto, mesmo fora, sempre fui fiel ao clube, sempre vivi esta camisola. Muitas vezes, até por culpa dos jornalistas, que sempre alimentaram essa relação. Lembro-me de uma entrevista quando venci a Liga dos Campeões pelo Milão: conseguiram dar meia página a dizer que era campeão da Europa, e página e meia a falar do Benfica. Em cada entrevista que dei, enquanto estive no estrangeiro, nunca esqueci o Benfica. Nestas circunstâncias, com a simpatia dos adeptos por mim, e vice-versa, fui sempre visto com um símbolo. Além disso, não conquistando títulos, o clube vive mais os seus ídolos do passado, ou que ganharam, ou que lhe foram fiéis. E nunca consegui esconder o meu afecto ao clube, esse sentimento, esse benfiquismo.

E é uma paixão correspondida? Sem dúvida. Não é uma relação normal de um atleta com um clube, principalmente tendo estado fora tantos anos. Mas, confesso-o de forma orgulhosa, ela existiu, existe e é meu desejo que exista ao longo de toda a minha vida.

Sentiu-se uma espécie de Dom Sebastião? Nunca me senti um Dom Sebastião...acredito no trabalho e não em homens providenciais!

...Mas para as pessoas não terá sido isso? Não, repito, nunca me senti um Dom Sebastião. As pessoas sabem da minha paixão ao clube, e sabendo isso viram em mim o renascer de um benfiquismo que, segundo essas pessoas, estava a perder-se aos poucos. Não acredito que ninguém possa ter pensado que, só pelo meu regresso, o Benfica passava a ganhar tudo.

Mas muitas pessoas vão continuar a acreditar em si como uma espécie de Dom Sebastião... Isso significa que têm confiança em mim, que é algo que me motiva. Agora, não era pelo facto de voltar ao Benfica, de ter a camisola 10 e a águia ao peito, que os jogos estavam todos ganhos, que íamos ser campeões da Europa e que ia ser tudo um mar de rosas. Em qualquer caso, tenho de agradecer e estar orgulhoso pela forma como me vêem dentro do clube.

Não receia que essa paixão leve os adeptos a reclamar resultados imediatos? Esse foi sempre o risco. Quando regressei, todas as pessoas à minha volta receavam pelo meu regresso. Diziam-me: és o menino querido do Benfica, as pessoas adoram-te, o clube vive um momento difícil, tu não consegues entrar no ritmo da equipa, podes desgastar a tua imagem se as coisas correrem mal, etc.... E eu disse: se é assim, quero correr esse risco. Quero que as pessoas gostem de mim no Benfica por aquilo que ainda sou, não por aquilo que fui. É um risco que vou correr, porque tenho o dever de o correr. As pessoas conhecem a minha história no clube, o orgulho que tenho em vestir a camisola. A maior parte não esquece o golo pela Fiorentina ao Benfica. Nem o famoso Verão Quente (de 1993) e a minha rejeição em ir para o Sporting. Fiquei no Benfica, com ordenados em atraso, com o Sporting a comprar tudo e todos, a pagar valores exorbitantes. São episódios marcantes, mais que o número de anos que estive no clube.

O Verão de que falou foi aquele em que Sousa Cintra contratou Paulo Sousa e Pacheco... ... e o João Pinto vai e vem. Estive envolvido nesse Verão Quente...

Qual foi a proposta que o Sporting lhe fez? Ia ganhar 120 mil contos por ano (estávamos em 1993). No Benfica, ganhava 25 mil contos. Na altura, não tinha 36 anos nem tinha estado 12 anos em Itália. Morava na Damaia, tinha 21 anos, ia casar e tinha ordenados em atraso.

"Nunca fiz inimigos no futebol"

Com Quim, um dos maiores amigos entre os futebolistas

Com Quim, um dos maiores amigos entre os futebolistas

Tem amigos dentro do plantel? Tenho.

Com quem se dá melhor? Graças a Deus, por onde passei, fiz sempre muitos amigos. E dou-me muito bem com muitos jogadores do plantel. Nos dias de hoje, sei onde leva essa pergunta. Uma coisa é a amizade, outra coisa é o profissionalismo. Se, como jogador, sempre me senti um grande profissional, como director desportivo tenho de o ser ainda mais e olhar para os interesses do clube. Tenho, de facto, grandes amigos, mas vou conseguir sempre separar as águas.

Quem são eles? O Nuno Gomes, com quem joguei muitos anos, também na Fiorentina. Basicamente, os maiores amigos são jogadores que encontrei na selecção, como o Petit e o Quim. Fiz boas amizades, fui colega de muita agente. Isso não me impedirá de fazer o meu trabalho, sem olhar à amizade. Costumo dizer que os três homens que mais amo no mundo são os meus filhos e o meu pai. Mas o meu pai não é (nem nunca será) treinador do Benfica porque eu o amo; e os meus filhos não jogam nos seniores do Benfica porque eu os amo. Acho que consigo passar bem a mensagem com esta expressão. Enquanto director desportivo, respeitarei a todos por igual, e as minhas decisões serão tomadas em função das necessidades, não consoante as minhas amizades do passado, embora admita que essas irão perdurar para sempre.

Durante a sua carreira, cortou relações com alguém? Como em todas as profissões onde se trabalha diariamente com 30 pessoas, tive várias chatices com alguns, sobretudo numa lógica de concorrência. Claro que sim. Pelo meu feitio, pelo feitio dos outros, que tinham uma personalidade que chocavam com muitos dos que estavam à sua volta. Mas nunca fiquei com rancor a alguém. Não fiz inimigos no futebol. Uma equipa de futebol obriga a um grupo de trabalho coeso, mas obriga também à concorrência por um lugar. Os meus problemas duraram sempre muito pouco.

E problemas graves com adversários? Pouca coisa também: situações normais de jogo, de faltas, de discussões dentro do campo, na chama do jogo.

Problemas dentro das quatro linhas, mas que sempre foi possível resolver... Sim. Dentro de um campo de futebol, num treino, há sempre uma chatice ou outra, por causa de uma entrada mais dura, que uns aceitam melhor e outros pior. Isso acontece com todos os jogadores - e comigo também, não fugia à regra. Mas chegava-se ao balneário e passava tudo. Ou então, no dia seguinte, era como se nada tivesse acontecido na véspera. São situações pontuais e, às vezes, à posteriori, até dão vontade de rir.

Este ano houve até uma chatice, e das grandes, durante num jogo do Benfica, em Setúbal, quando Luisão e Katsouranis estiveram perto da agressão... Isso não teve a ver com o facto de um não se dar bem com o outro. Naquele caso, deveu-se ao momento menos positivo que estávamos a viver, de grande nervosismo, com a obrigação de vencer todos os jogos, numa fase em que não se estava a ganhar, num jogo que não estava a correr de feição. Por vezes, há sensibilidade a mais quando se ouve um colega, é-se um bocadinho mais bruto na conversa. São situações nada bonitas, mas são únicas. Espero que nunca aconteçam na minha gestão...

Fazem mossa... Fazem mossa. Às vezes, não tanto no balneário, mas mais na imagem do clube. Nas minhas novas funções, compreendo o jogador, mas não aceito que essa mensagem seja transportada para fora. Foi o que aconteceu naquele caso. Nenhuma equipa ou jogador, mesmo o mais paciente, está livre de uma situação assim. Mas tudo tem de ser feito para que não aconteça.

"Todos fomos responsáveis pela má época: treinadores, direcção e jogadores"

Os futebolistas do Benfica são tão maus como pareceram nesta época?

A derrota, na Luz, com a Académica (0-3), foi dos piores resultados de sempre

A derrota, na Luz, com a Académica (0-3), foi dos piores resultados de sempre

Tiago Petinga/EPA

Não. Há épocas que correm mal, e termos tido uma época de três fases não beneficiou a equipa nem os jogadores. Começámos a época de uma maneira. Ao fim de mês e meio, saiu um treinador, entrou outro, chegaram uns jogadores, saíram outros. O plantel teve três mexidas...

A troca de Fernando Santos por Camacho foi benéfica? Teve partes boas e más. No início, teve a parte boa: houve uma alteração, acabou por mexer com a cabeça dos jogadores...

O efeito da chicotada psicológica... Sim. Depois, acabou por não ser uma época positiva. E quando uma época não é positiva, não há este ou aquele culpado. Toda a gente que trabalhou à volta da equipa tem a sua quota-parte de responsabilidades: os treinadores tiveram culpa, a direcção teve e os jogadores também...

Mas não há uma hierarquia de responsabilidades? Não, porque mais do que ser injusto acusando alguém, se calhar estou a ser benevolente para com aqueles que têm mais culpa Reparto a culpa por todos. Se podemos atribuir a culpa à direcção por ter mudado de treinador após a primeira jornada, podemos perguntar porque não o fez antes, ou porque não deu mais tempo ao treinador... Também podemos perguntar porque é que os jogadores, na primeira jornada, estando a ganhar ao Leixões (que tinha subido de divisão), se deixaram empatar já depois da hora. Assim, não há treinador que resista! Da mesma forma, digo que se for campeão este ano - ou no dia em que for campeão -, terei só a minha quota-parte de mérito. E este será distribuído por todos. Incluo-me no mérito, mas também nos maus momentos. Não quero estar aqui com um discurso diplomático, do género "ninguém tem culpa, todos temos culpa". Mas deixar alguém de fora nesta matéria não me parece correcto.

O Benfica bateu no fundo esta época? O Benfica não bateu no fundo, porque tem uma almofada muito grande: de pessoas, adeptos, gente que quer bem ao clube. Por muito mal que esteja, tem sempre essa almofada, que puxa sempre o clube para cima. É uma mola de entusiasmo, que nunca deixa que o clube bata no fundo.

Isso não é um discurso da vitória moral? Eu não gosto de vitórias morais, nem estou à espera de vitórias morais. Procuro criar um projecto para ganhar.

"Para ser campeão é preciso tempo e alguma paciência!"