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Morreu o árbitro que se dizia do Sporting mas colaborou com o FC Porto

Bem cotado na alta roda da arbitragem europeia, António Garrido acabou por ser uma figura polémica a nível caseiro. Adepto confesso do Sporting enquanto se manteve no ativo, viria a tornar-se um fiel colaborador do FC Porto após ter deixado os relvados por limite de idade

Arquivo A Capital/IP

Antigo internacional, António Garrido morreu esta quarta-feira, após meses de doença prolongada. Tinha 81 anos.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Considerado um dos melhores internacionais portugueses de todos os tempos, António Garrido, falecido esta manhã, foi o primeiro árbitro nacional a dirigir uma final da Taça dos Campeões Europeus, prova antecessora da Liga dos Campeões, em 1980, no Santiago Bernabéu, culminada com a vitória, por 1-0, do Nottingham Forest frente ao Hamburgo.

A nível de seleções, António Garrido, que pertencia aos quadros da Associação de Futebol de Leiria, foi nomeado para dois Mundiais, em 1978, na Argentina, e em 1982, em Espanha, duas provas que sempre reputou como os marcos maiores da sua carreira. 

Em entrevista à Lusa, em maio último, o antigo árbitro confessou que o seu maior sonho era apitar a final do Mundial de Espanha, caso o Brasil fosse à final. Falhou a meta da sua carreira quando a equipa 'canarinha' claudicou perante os italianos, na meia-final. Com o sonho desfeito, teve direito a um prémio de consolação, ao ser-lhe atribuído o encontro para apurar os 3.º e 4.º classificados.

Dois anos antes, em 1980, marcou ainda presença no Europeu de 1980, em Itália, onde apitou o jogo da meia-final entre a Itália e a Bélgica, seleção que acabou por perder a o título para a então República Federal Alemã.

Bem cotado na alta roda da arbitragem europeia, Garrido acabou por ser uma figura polémica a nível caseiro. Adepto confesso do Sporting enquanto se manteve no ativo, viria a tornar-se um fiel colaborador do FC Porto após ter deixado os relvados por limite de idade.

Há dois anos, ao "Jornal de Leiria", António Garrido justificou a troca de emblema por uma questão de simpatia. "Uma pessoa acaba por se sentir bem onde nos tratam bem", referiu.

Durante duas décadas foi intrutor de árbitros da FIFA e observador da UEFA, cargo que lhe permitiu fazer a receção de árbitros internacionais nas provas europeias em que participavam clubes portugueses, em especial nos jogos do FC Porto.

Membro do Conselho de Arbitragem da FPF ao longo de quatro anos, em 2005 foi apanhado em escutas telefónicas em conversas com Valentim Loureiro e Pinto de Sousa, respetivamente líderes da Liga de Clubes e do Conselho de Arbitragem. Garrido acabou por ser interrogado pela Polícia Judiciária como testemunha no processo Apito Dourado.  

Contabilista de profissão, tornou-se internacional em 1973 e recebeu do Governo a medalha de Mérito Desportivo.

Natural de Vieira de Leiria, Garrido faleceu hoje, aos 81 anos, vítima de doença prolongada. O seu funeral realiza-se quinta-feira, na Marinha Grande.