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Membro do Governo acusado de desmotivar atletas olímpicos

Vicente de Moura, presidente do Comité Olímpico Português, e Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, estão em rota de colisão. Moura acusa Dias de "desmotivar" os atletas que irão a Pequim. E se falhar os seus objectivos, demite-se.

O Presidente do Comité Olímpico Português (COP), Vicente de Moura, disse ao Expresso que o secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, "está a desmotivar as federações e os atletas" que irão aos Jogos Olímpicos de Pequim, no próximo ano. Na capital chinesa, integrado na comitiva de José Sócrates, Dias afirmara, na quarta-feira, que a subida ao pódio não é o que mais contará. "O importante é que Portugal suba nos ‘rankings’ das generalidade das modalidades. Às vezes, uma ou duas medalhas escondem debilidades", disse o secretário de Estado.

Hoje à tarde, a partir de Macau, onde participa num encontro de comités olímpicos de língua oficial portuguesa, Vicente de Moura contestou Laurentino Dias. E recorda que existe um contrato-programa entre o COP e o Estado (assinado pelo anterior Executivo), que define as metas da delegação portuguesa, fixadas na conquista de cinco medalhas e 68 pontos, um resultado "nunca antes alcançado por Portugal". Moura salienta que "o acordo não foi até agora alvo de qualquer reparo das federações, dos técnicos ou dos atletas". E lança uma pergunta: "Será que o secretário de Estado está a pensar denunciar o contrato-programa que o Comité Olímpico Português assinou com o Governo?".

Embora alerte para o risco de desmotivação de atletas e de federações, o presidente do COP mantém os objectivos já assumidos. "O senhor secretário de Estado até me está a facilitar a vida, desresponsabilizando-me daquilo a que me propus. Mas não lhe pedi isso, nem peço. Mantenho as minhas metas e nunca arranjarei desculpas", afirma Vicente de Moura, para declarar: "Se não atingir os meus objectivos, retirarei as devidas consequências pessoais, que levarão à minha demissão". Mas apesar deste cenário, o Presidente do COP está seguro da fasquia colocada. "Acredito no trabalho do Comité Olímpico, das federações e dos atletas. Vamos atingir os resultados e, provavelmente, ultrapassá-los", diz Vicente de Moura.

Esta é a segunda divergência, em dois dias, entre Laurentino Dias e Vicente de Moura. O secretário de Estado considerara impossível que Portugal possa um dia organizar uns Jogos Olímpicos (ver relacionados no final deste texto). O presidente do COP, que antes defendera tal possibilidade, rebate o argumento do governante. "A candidatura olímpica seria uma mais valia para a auto-estima do povo português". Esclarecendo que "não seria para avançar já", essa intenção só poderia ser apresentada aos Jogos de 2020 ou 2024, "na melhor das hipóteses". Confrontado com os custos que Portugal está e continuará a pagar pelo Euro-2004, Vicente de Moura responde que "é possível organizar uns Jogos que dêem lucro". Mas reconhece que se trata "apenas de uma ideia", com um "aspecto utópico".

Desde hoje, sexta-feira, que Laurentino Dias e Vicentes de Moura estão ambos em Macau. E amanhã, sábado, cruzar-se-ão em cerimónias no âmbito da deslocação de José Sócrates ao território que esteve sob administração portuguesa.