Siga-nos

Perfil

Expresso

Tribuna

Líder sindical apresentou queixa-crime

Depois de denunciar alegadas irregularidades contratuais, Joaquim Evangelista foi ameaçado de morte.

O líder do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) vai apresentar, amanhã, na Procuradoria Geral da República uma queixa-crime contra Hélder Gomes, o vice-presidente da SAD do Imortal de Albufeira que, há uma semana, o "ameaçou de morte".

Segundo Joaquim Evangelista, o dirigente algarvio ligou, no passado dia 9, às 18h45, a dizer que o Sindicato não sabia com quem se estava a meter, "advertindo que me vinha buscar e pendurar na baliza do Imortal". O telefonema que durou "1 minuto e 18 segundos" surgiu depois de depois de Evangelista informado Hélder Gomes que o SJPF daria todo o apoio aos jogadores que desde o iníco do ano têm sido despedidos "sem justa causa nem as contrapartidas legais a que têm direito".

Ao todo são 16 os jogadores já dispensados pelo Imortal esta época. David Moutinho, irmão do estrela leonina João Moutinho, é uma das vítimas, despedido a 30 de Janeiro, véspera do encerramento das inscrições no mercado de Inverno, o que o obriga a ficar inactivo até ao final da temporada. Outro dos desempregados até ao início da época 2007/08 é Jorginho, o jogador que, no início de Janeiro, trocou o Maia pelo Imortal para ser dispensado um mês depois. O jogador de Setúbal mudou-se com a mulher e os dois filhos para um apartamento em Armação de Pêra cedido pelo clube. Sexta-feira de manhã o treinador comunicou-lhe que Hélder Gomes não contava mais com ele e que lhe pagavam dois meses para se ir embora. "Claro que não aceitei porque tinha contrato até 31 de Junho, os meus filhos acabavam de mudar de escola e preciso de trabalhar", diz Jorginho. No mesmo dia, cortaram-lhe a luz e nunca mais lhe deram autorização para treinar.

Em declarações ao Expresso, Evangelista garante que não se deixará intimidar, sendo o seu próximo passo uma participação exaustiva à direcção e órgãos disciplinares da Federação Portuguesa de Futebol para que "investiguem as inscrições e contratos de trabalho dos jogadores do Imortal". O líder sindical não tem dúvidas que o clube de Albufeira, a militar na II Divisão B, é um caso típico de falso amadorismo. "Tanto quanto o SJPF apurou, só dois jogadores tinham vínculos como profissionais, enquanto os outros, apesar de serem futebolistas a tempo inteiro e remunerados, encontram-se inscritos como amadores", frisa Joaquim Evangelista.

Para além da fuga ao fisco, o amadorismo encapotado permite aos clubes, neste caso uma SAD, inscrever os seus jogadores na FPF por menos de 60 euros – menos cem euros do que custaria o registo como profissionais –, pagando apenas um seguro desportivo mínimo em vez dos obrigatórios seguros de acidentes de trabalho. "O que mais me revolta é este sentimento de impunidade por parte de certos dirigentes em relação aos atletas que contratam à revelia do Contrato Colectivo de Trabalho em vigor", observa o dirigente do SJPF.

Para Joaquim Evangelista, mais grave ainda é o facto de vários jogadores terem confessado ao Sindicato "não terem feito os obrigatórios exames médicos anuais, o que significa que estão a jogar sem rede em termos de estado de saúde". Jorginho afirma que ainda perguntou quando iriam ser feitos os testes médicos, mas que lhe disseram para não se preocupar. "Não sei é como me conseguiram inscrever", questiona-se. A queixa dos jogadores deixou o dirigente sindical perplexo, dado a entrega da ficha de exames clínicos ser indispensável no acto de inscrição dos atletas. Como o vice-presidente do Imortal é médico e parte dos ordenados dos jogadores são pagos com cheques de uma clínica particular, "são legítimas todo tipo de dúvidas por parte dos atletas", acrescenta Evangelista.

O Expresso tentou em vão contactar com Hélder Gomes para o Imortal, dirigente que já negou as acusações e afirma estar de consciência tranquila.