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Honda F1 já não vai ao Algarve

A equipa da Honda Racing F1 desmarcou os treinos que tinha previsto para o Autódromo Internacional do Algarve, isto depois do anunciado abandono da competição, por falta de patrocinadores.

Mário Lino, correspondente no Algarve

Os responsáveis da Honda F1 tinham previsto testar o novo carro de 2009, o RA109, bem como um conjunto de novos pneumáticos, e olhavam para o Autódromo do Algarve com muito interesse, conforme confirmou ao Expresso Ross Brawn, director da equipa cessante de Fórmula 1. "O responsável pela equipa de testes visitou o circuito quando estava quase concluído e ficou muito impressionado com o traçado e as estruturas. A localização no Sul de Portugal, que tem um clima muito favorável para os testes, foi também um factor decisivo para podermos testar aí durante os meses de Inverno", adiantou Ross Brawn, em entrevista, antes da decisão final de abandonarem a Fórmula 1.

O anúncio do presidente da Honda, na passada sexta-feira, de que a empresa se iria retirar de imediato da Fórmula 1 para reduzir custos, fez no entanto cair por terra todo o trabalho desenvolvido pela equipa nipónica.

Takeo Fukui explicou que a Honda, como quase todas as marcas mundiais, dependia das vendas nos Estados Unidos da América para equilibrar o seu negócio, e que só este ano, teve uma quebra nas vendas de 25 por cento. O CEO da Honda esclareceu ainda que a marca japonesa até possuía orçamento operacional para manter a equipa a correr no início de 2009, mas não conseguiria garantir a continuidade até ao final da temporada. Assim, optou por sair antes, de forma a evitar uma retirada a meio do campeonato - algo que seria considerado humilhante.

Só para os treinos no Algarve, que incluíam testes com dois bólides de Fórmula 1 da marca japonesa, a Honda faria deslocar para o Algarve cerca de 60 pessoas da equipa.

Nem tudo está perdido, no entanto, pelo menos para o Autódromo, uma vez que se mantêm para já os testes de dois outros grandes "players" da Fórmula 1, a Ferrari e a McLaren, entre 15 e 17 de Dezembro.

E caso a crise decida "fazer marcha-atrás", Ross Brawn não tem dúvidas de que o Algarve é um cenário a considerar: "A pista aparenta ter uma boa mistura de curvas rápidas e lentas, juntamente com uma recta da meta bastante longa. Acreditamos que dará uma boa pista de testes, mas com as infra-estruturas que tem, diria até que está bem equipada para receber uma prova de Fórmula 1 no futuro", afirmou. Só que, a acontecer, a Fórmula 1 provavelmente já não será a mesma.