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Francisco Lobato estreia-se na “Transat 6.50”

Um jovem navegador português prepara-se para atravessar o Atlântico numa das mais exigentes regatas de navegação solitária. Durante longos 36 dias Francisco Lobato terá por companhia apenas o mar e o céu.

O jovem velejador Francisco Lobato, 22 anos, apresentou, ontem, o seu projecto de participação na prestigiada regata de navegação solitária, “Transat 6.50”.

Esta travessia do atlântico acontecerá a partir de 16 de Setembro, com partida de La Rochelle, em França, com destino a Salvador da Baía, durante 36 dias, com uma única escala na Ilha da Madeira. No total, o jovem velejador percorrerá 4.200 milhas marítimas, num pequeno veleiro, que será a sua casa durante mais de um mês, tendo como alimentação comida liofilizada. Longe de tudo mas perto da emoção de velejar sozinho, é assim que Lobato se irá sentir nesta epopeia, que ontem foi apresentada à imprensa e contou com a presença do mediático Marcelo Rebelo de Sousa.

Orientação através do sextante

A bordo da pequena embarcação, de apenas 6,5 metros de comprimento, Francisco Lobato vai ter de se orientar durante 36 dias pelos astros, recorrendo para isso ao sextante, que lhe permitirá efectuar os cálculos necessários à arte de bem velejar.

“Quando comecei a treinar na costa portuguesa passei por situações muito difíceis e complicadas. Tive de aprender a gerir o sono, a sobreviver a horas seguidas de enjoo e a habituar-me a comida liofilizada, o que muitas vezes me fez sonhar com um belo bitoque”, afirmou o aventureiro solitário na apresentação do seu projecto.

O veleiro que Lobato vai usar é concebido para a competição e oferece pouco conforto – uma garrafa de gás para ferver a água que servirá para preparar os alimentos liofilizados, um balde a servir de WC, equipamentos de segurança e as velas a servirem de colchão.

Para o jovem velejador, uma das principais dificuldades “é estar sozinho”. “Ao fim de vários dias isso exige muito de nós física e mentalmente e, por vezes, temos alturas em que vamos muito abaixo psicologicamente e perdemos a motivação”.

A preparação para esta prova-aventura foi feita no mar, com treinos, e ainda com formação sobre cartas de navegação, já que “conhecer os ventos e as correntes é fundamental para o sucesso”.

“Um lugar no pódio”

Tendo como pano de fundo a exposição de embarcações expostas na Nauticampo 2007, a decorrer na Feira Internacional de Lisboa, Lobato não escondeu que “o objectivo também passa por um lugar no pódio”.
Durante as provas de qualificação para a “Transact 6.50”, o velejador e estudante do 3.º ano de Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico viveu episódios cómicos.

“Numa das provas estava tão cansado que adormeci mesmo no fim, acabando por passar a linha de meta ao lado. Voltei para trás mas acabei por ser ultrapassado por dois concorrentes e terminei em terceiro. Foi o meu primeiro pódio”, regozijou-se.

Rebelo de Sousa na partida

A apadrinhar a participação de Francisco Lobato na “Transact 6.50” esteve Marcelo Rebelo de Sousa, que já admite a possibilidade de vir a experimentar este desporto.

“A paixão pela vela, que tem desde há 12 anos, o facto de continuar a estudar e o grau de empenhamento, profissionalismo e seriedade foram os motivos que me levaram a entrar neste filme”, explicou o analista político. Amante de desporto e em particular de ténis e praticante de bodyboard e surf, o professor prometeu estar na partida e na chegada para apoiar o jovem velejador, que fez parte do projecto de esperanças olímpicas e da equipa pré-olímpica para Atenas 2004.

Mais conhecida por “Mini-Transat”, a “Trasant 6.50” foi criada em 1977 pelo inglês Bob Salmon e desde aí a prova tem tido lugar de dois em anos, sempre em anos ímpares. De realçar que nunca antes um velejador português logrou atingir a qualificação para esta importante regata.