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Fonte, que queria ter jogado pelo Benfica, explica como se faz cócegas ao Chelsea

José Fonte está no Southampton desde 2009/10

Getty

Aos 30 anos, José Fonte falou com o Expresso sobre o melhor momento da carreira: estreou-se pela seleção nacional na semana passada e é capitão do Southampton, 2º classificado da Premier League. Ah, e levou uma cabeçada que deixou a mulher com vontade de ir bater num colega de equipa.

Quando olhamos para a classificação da Premier League, tudo normal no 1º e 3º lugares. O Chelsea de José Mourinho ainda não perdeu esta época, pelo que já segue isolado na liderança, com 32 pontos (e vai enfrentar o Sporting na última jornada da Champions - é jogo decisivo para os leões). Por outro lado, o campeão Manchester City segue em 3º, com 24 pontos, depois de alguns percalços. 

Na virtude - no meio, portanto - está a grande surpresa da Liga inglesa desta época, que em 2010/11 estava na League One, que é como quem diz na 3ª divisão do país: o Southampton.

José Fonte, capitão, já está na equipa há seis anos, depois de também ter passado pelo Crystal Palace, pelo Estrela da Amadora, pelo Paços de Ferreira, pelo Vitória de Setúbal e pelo Felgueiras. E pelo Benfica, onde nunca chegou a jogar. 

No início da época saíram muitos jogadores importantes: Luke Shaw, Rickie Lambert, Dejan Lovren... Chegaste a ver nas redes sociais as brincadeiras que mostravam o balneário do Southampton completamente deserto? [risos] É verdade, sentimos isso. Não vou mentir, também houve alturas em que duvidei. As coisas a certa altura não pareciam ir no caminho certo. Mas o facto é que demoraram, mas acertaram. Fomos buscar o mister Ronald Koeman e jogadores de grande qualidade que têm dado nas vistas, o que também demonstra a capacidade do clube descobrir novos talentos. 

Pela academia do clube passaram talentos como Gareth Bale, Theo Walcott... Alex Oxlade-Chamberlain...

Exato. A academia trabalha bem? Acho que o 'setup' que está montado é o correto. Eles conseguem acima de tudo formar homens e depois jogadores, dão muito ênfase à escola. As pessoas que estão à frente da academia têm feito um trabalho extraordinário, conseguem passar para os jovens aquilo que a equipa principal precisa, formam bons jogadores e o facto de eles virem treinar connosco numa idade tão tenra, 16, 17 anos, também ajuda no desenvolvimento deles. Têm muitas oportunidades para jogar connosco. Todos os jovens cometem erros mas é preciso ter paciência e dar-lhes oportunidades, que é o que o clube tem feito.

A defesa, não necessariamente apenas a linha defensiva, tem sido uma grande parte do sucesso, uma vez que ainda só sofreram seis golos. O Chelsea sofreu 11. Exatamente. Como dizes e bem, não só a linha defensiva e o guarda-redes, mas toda a equipa ajuda a defender e só assim é que podemos ter a melhor defesa da Premier League. Os avançados têm de ser mesmo os primeiros defesas e eles têm essa capacidade de sacrifício e entreajuda e só assim é possível obter os resultados que temos. Temos uma grande organização e entendimento entre todos e... epá, só assim é que se consegue manter a baliza inviolável.

Suponho que o jogo de domingo contra o Manchester City (13h30, BTV2) seja para ganhar. Com certeza. A nossa mentalidade é que são todos para ganhar. Vai ser um jogo espetacular. Jogamos em casa contra o campeão em título, por isso motivação não vai faltar. Resta-nos preparar bem para chegarmos a 120% a domingo e ganhar. É um jogo importantíssimo porque se nós ganharmos metemos o City a cinco pontos. Mas se não ganharmos ou empatarmos ainda ficam atrás de nós. 

Houve algum capitão mais marcante para ti? Sim, o Kelvin Davis, o meu colega de equipa. Ele é o capitão do clube. Não joga, já tem 38 anos, mas ainda faz parte do grupo. Ele é o capitão do clube e eu sou o capitão dentro do campo. Ele exemplificou-me ao longo dos anos o que é ser um capitão e um grande líder. E é o mais brincalhão [risos].

És um capitão descontraído? Como é que é se chegares ao balneário e a tua roupa estiver desaparecida? Já me aconteceu [risos], sou descontraído. Já me roubaram as cuecas [risos]. Há muita risada sempre. Há sempre um ou dois que são palhaços e isso contribui para o bom espírito. Nós passamos ali muitos dias, a semana inteira, é a nossa segunda família e se não houver os palhaços é difícil.

Aos 30 anos, José Fonte atravessa o melhor momento da carreira: é capitão do Southampton, 2.º classificado da Premier League, e estreou-se na semana passada na seleção portuguesa

Aos 30 anos, José Fonte atravessa o melhor momento da carreira: é capitão do Southampton, 2.º classificado da Premier League, e estreou-se na semana passada na seleção portuguesa

José Sena Goulão/Lusa

Qual foi o treinador que te marcou mais? Nunca vou esquecer o mister Norton de Matos, que apostou em mim quando mais ninguém me deu a mão. Ele foi a pessoa que acreditou em mim e que me levou para o Salgueiros, na altura. Depois o Salgueiros acabou, passados dois meses, e ele ajudou-me a entrar no Felgueiras, com o mister Diamantino Miranda, com quem também aprendi muito. E depois reencontrei-me com o mister Norton de Matos na época seguinte, no Setúbal, e fizemos uma grande temporada. 

E o Ronald Koeman? O mister tem sido um treinador que nos tem passado muito bem as suas ideias e a sua filosofia. É muito organizado, vai ao último detalhe e só assim se justifica a nossa organização e capacidade para jogar bom futebol. Em todas as situações do jogo nós sabemos aquilo que temos de fazer. E isso deve-se a ele e ao staff dele. É um treinador muito forte. Estou muito feliz com a assinatura que o clube fez com o mister e a trabalhar desta maneira, com esta seriedade, acho que é a receita para o sucesso.

Falaram do Benfica? [Koeman esteve no Benfica em 2005/06, na mesma altura em que José Fonte foi contratado] Sim, quando ele assinou falámos um bocadinho. Ele no Benfica não teve influência na minha contratação, por isso não nos cruzámos. Ele disse-me que gostou muito do Benfica, de Lisboa e também de Cascais [risos]. E tem uma casa no Algarve, onde costuma ir. É um apaixonado por Portugal.

Ficaste com pena de não jogar pelo Benfica? Fiquei triste por não ter tido uma oportunidade no Benfica, mas sem mágoas. Percebo que no futebol nem sempre tens aquilo que mereces. Segui a minha vida e tentei por outros caminhos alcançar sucesso. Estou feliz com a minha carreira e espero ainda alcançar muito mais.

Leia a entrevista na íntegra (incluindo o episódio da cabeçada) na edição deste sábado do Expresso