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"Derby" deu empate

Leões tinham que ganhar mas apenas conseguiram o empate. Benfica depende apenas de si para garantir o acesso à liga milionária.

Ricardo Capela

O "derby" deu empate (1-1). Um empate com sabor agridoce. A derrota para o Sporting e a vitória para o Benfica. Assim, os leões mantêm a desvantagem de cinco pontos para o Benfica, e continuam no quarto lugar, a um ponto do Vitória de Guimarães e, agora, em igualdade pontual com o Vitória de Setúbal.

O jogo de Alvalade conta-se com duas partes em tudo semelhantes. Em comum, a entrada forte do Sporting e a boa resposta do Benfica. A diferença esteve nos golos e, na segunda parte, no ascendente final do Sporting, acentuado com a expulsão de Nelson.

Nos primeiros 45 minutos, o Sporting materializou a entrada forte, chegando ao golo logo aos 11 minutos. Vukcevic, que regressou após lesão, fez de cabeça o primeiro golo da partida, após cruzamento da esquerda de Tiuí. Os leões dominaram, com João Moutinho a protagonizar uma excelente exibição, e com uma pressão alta que causou muitas dificuldades ao Benfica, logo na primeira zona de construção ofensiva. Marcaram à terceira oportunidade de golo, já depois de Quim ter negado um golo quase certo a Vukcevic, na primeira de uma série de intervenções de grande qualidade, que em muito contribuiu para o Benfica conseguir sair de Alvalade com um ponto.

A resposta do Benfica surgiu aos 35 minutos, por Cardozo, de cabeça, após pontapé de canto de Rui Costa, e com a ajuda de uma falha de marcação de Tonel. Antes, já tinham ameaçado por duas vezes, primeiro num grande remate de Rui Costa, muito bem parado por Rui Patrício, e num remate de Cristian Rodriguez, que passou a milímetros do poste esquerdo da baliza sportinguista.

Polémica com Paraty

A segunda parte começou como a primeira. Com o Sporting a partir para cima do Benfica. Desta vez, sem conseguir chegar ao golo. À medida que o tempo foi passando, o jogo começou a aquecer, ganhando mais ambiente de "derby". Tonel e Cardozo picaram-se, o paraguaio de uma cotovelada no português, Paraty não viu. Tonel, diga-se, também teatralizou em demasia. Era o primeiro de alguns casos que marcam o jogo. Pouco depois, Vukcevic caiu na área, derrubado por Léo. Grande penalidade por assinalar, mais um rastilho lançado para os adeptos e jogadores, que começavam a ficar impacientes.

Sem grandes oportunidades de golo, começaram as mexidas. Paulo Bento lançou Celsinho par ao lugar de Izmailov, Camacho respondeu com Sepsi, que rendeu Di Maria. Alguns minutos depois, um rude golpe no Benfica, que tinha o jogo controlado. Nelson teve uma entrada muito violenta sobre Celsinho e viu o cartão vermelho directo. Valeu que não acertou em cheio no brasileiro, facto que permite dizer que o árbitro poderia ter ficado apenas pelo cartão amarelo. Paraty não achou, e expulsou o defesa encarnado. Camacho tapou a direita com Maxi Pereira, primeiro, e com Zoro, depois. A partir daí, o Benfica tentou segurar o empate a todo o custo. Conseguiu, com a ajuda de Quim, que se manteve insuperável.

Bento critico com Paraty e orgulhoso dos jogadores

No final do jogo, Paulo Bento não estava satisfeito com o resultado, mas revelou estar orgulhoso dos jogadores, no meio de algumas críticas à arbitragem de Paulo Paraty.

"O jogo começou bem para nós. Entrámos muito bem. Até aos trinta dominámos claramente, fizemos o golo, tivemos mais algumas situações de perigo para adversário. Depois houve uma reacção do Benfica, que acabou por chegar à igualdade através de um lance de bola parada. Na segunda parte continuámos a dominar. Tentámos pressionar mais alto. Tivemos mais oportunidades e podíamos ter tido mais, daquelas em que só temos o guarda-redes pela frente", disse, antes de se mostrar algo agastado com os erros da equipa de arbitragem.

"O lance do Simon não me deixa dúvidas, há uma grande penalidade por assinalar. O golo do Benfica nasce de um canto que não existe. Assim torna-se complicado. Já em 2005/06 houve uma fase da época em que estavam a criar algumas dificuldades para chegar à Liga dos Campeões. Desta vez começou mais cedo. Para ti e para mim é bom que esteja a acabar. A jogar da maneira que jogámos e a revelar aquilo que revelámos não podemos desistir dos nossos objectivos. Se há dia em que estou orgulhoso dos jogadores, esse dia é hoje. De certeza que não vamos terminar nesta posição e que vamos conseguir o objectivo de conseguir um lugar na Liga dos Campeões.", concluiu.

Camacho satisfeito

Do outro lado, Camacho estava naturalmente mais satisfeito, mas recusou dar como garantido o segundo lugar.

"Foi um empate importante, pois mantemos a vantagem. Foi um jogo um pouco complicado, especialmente nos primeiros quinze minutos. Depois começámos a jogar, metemos um golo e podíamos ter ganho. Mesmo com um jogador a menos lutámos até ao fim pela vitória. Temos uma vantagem importante, mas não está tudo feito. Temos de continuar a trabalhar e a ganhar.", disse.

O espanhol explicou ainda a razão pela qual Makukula abandonou o aquecimento e se voltou a sentar no banco de suplentes. "Não estava pronto para jogar. Não estava a cem por cento."