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Atleta amputado proíbido de correr nos Jogos Olímpicos

A Federação Internacional de Atletismo chumbou, hoje, a intenção do atleta sul-africano, de 21 anos, disputar os 400 metros em Pequim, alegando que as suas próteses lhe dão vantagem competitiva.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Os 28 membros do Comité Técnico da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) concluíram que as já famosas cheetahs" de oscar Pistorius garantem-lhe uma clara vantagem mecânica" em relação aos atletas normais. Fabricadas em fibra de carbono ultra-leve (menos de um quilo), as próteses do sul-africano foram rejeitadas pela IAAF ao abrigo da regra dos seus estatutos (144.2) que proíbe a utilização de qualquer equipamento que incorpore molas, rodas ou outro elemento que garanta ao seu utilizador vantagens competitivas sobre os outros concorrentes.

A decisão do Comité Técnico, integrada entre outros por Sergei Bubka e Sebastian Coe, presidente da Comissão Instaladora dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, teve por base um estudo científico da Universidade do Desporto de Colónia, orientado por Peter Bruggemann e que contou com a participação de dez especialistas em fisiologoa e biomecânica. Os testes efectuados em Novembro com a concordância e participação de Pistorius e de outros cinco atletas normais levaram a IAAF a concluir que o sul-africano era capaz de correr as mesmas distâncias e à mesma velocidade com menos esforço, ou seja, consumindo menos 25% de energia do que os seus adversários.

O estudo revelou ainda que as cheetahs flex foot" - próteses flexíveis em forma de lâminas curvas - devolvem 30% mais energia do que a carga de retorno do impacto do pé humano quando toca no solo, vantagem encarada pela IAAF como uma espécie de doping-mecânico. Este resultados têm, contudo, gerado grande controvérsia nos meios científicos, sobretudo por não levarem em conta as desvantagens da utilização das próteses, tais como a menor inércia nos primeiros 30 metros da prova, a fricção e perda de energia na ligação do equipamento aos cotos ou maior instabilidade em piso molhado e sujeito a ventos.

Amputado aos 11 meses por ter nascido sem perónio, Oscar Pistorius viu ruir aos 21 anos o maior sonho da sua vida, após ter ganho as provas de 200 e 400 metros em jogos paralímpicos. Resta saber se, apesar do desaire, vai continuar a lutar para galgar os 61 segundos que o separam do mínimo olímpico estipulado para a prova de 400 metros em Pequim (45,95 segundos enquanto o seu recorde é de 46,56 segundos).

  • A Federação Internacional de Atletismo vai decidir, quinta-feira, se o sul-africano, amputado às pernas dos joelhos para baixo, pode ou não competir com as suas próteses ultra-leves em fibra de carbono nos próximos Jogos Olímpicos.