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A 'vaga de fundo' que empurrou Soares Franco... e o património

Filipe Soares Franco sucedeu a Dias da Cunha na presidência do Sporting

Alberto Frias

Em 2006, Soares Franco, que assumira a presidência do Sporting após a demissão de Dias da Cunha, ameaçou não se recandidatar se a venda do património não desportivo não passasse em AG. Chumbou, reconsiderou e... goleou.

Bruno Roseiro

Após duas eleições concorridas em anos consecutivos, as seis temporadas com Sousa Cintra no comando do clube acabaram por devolver alguma paz ao Sporting. De tal forma que foi preciso chegar-se a 2006 para haver novo sufrágio com mais do que um candidato, após a eleição de Santana Lopes (1995) e as cooptações/eleições de José Roquette (1996) e António Dias da Cunha (2000). Ganhou, com 74,2%, Filipe Soares Franco, líder de uma lista que esteve para... não ir a votos.

Em março, com a equipa de futebol comandada por Paulo Bento a fazer uma recuperação imparável na classificação (oito vitórias seguidas), os sócios tinham nas mãos a possibilidade de permitirem a venda de todo o património não-desportivo (centro comercial Alvaláxia, clínica CUF, Health club, edifício-sede e secretaria). De acordo com os estatutos, seriam necessários dois terços dos votos para a medida ser aprovada mas faltaram cerca de 2% para a vitória. "Assim, os órgãos sociais vão demitir-se, haverá eleições e não serei candidato", garantiu Soares Franco.

Abrantes Mendes, que se assumia como opositor ao projeto Roquette e ao descalabro financeiro que daí resultara, avançou com uma candidatura, reunindo várias figuras do universo leonino. No entanto, Soares Franco acabou mesmo por reconsiderar - uma carta assinada por 100 'notáveis' do clube criou uma 'vaga de fundo' que deixou o gestor sem hipóteses de fugir ao sufrágio. Guilherme Lemos, um antigo dirigente do Estrela da. Amadora, juntou-se também à dupla que iria concorrer.

A 'minoria de bloqueio' que tinha barrado a venda do património não-desportivo em assembleia geral acabou por ser curta nas eleições. Lemos teve uma votação mínima (0,6%) mas Abrantes Mendes também não passou dos 25,3%. No entanto, a partir daqui não houve mais nenhuma eleição à presidência do Sporting com, pelo menos, dois candidatos. E o património foi mesmo vendido, por cerca de 50 milhões de euros.